Archive for the 'drops' Category

se esta é sua primeira vez aqui…

… eu queria te contar que tenho blog pessoal desde 2003 (!) e em julho dei um pulo para fora da minha zona de conforto e lancei uma newsletter semanal . Meu objetivo inicial com ela era apenas falar com mais gente de forma diferente; porém, o retorno tem sido tão acolhedor e significativo de tantas formas que, neste ano maluco que tem sido 2016, ela foi uma das melhores coisas que poderia ter me acontecido. Então venho aqui, humildemente, te convidar para ler as vinte cartinhas já publicadas, compartilhar das minhas reflexões e embarcar comigo nesta jornada de autoconhecimento, descobertas e abrir de olhos. Bem-vindos!

mais um drops

Queridos, amanhã tem início um projeto meu que foi bastante pensado e querido: o lançamento de uma newsletter pessoal, em que pretendo compartilhar um pouco do meu mundo. Apesar de ter também reflexões mundanas, o conteúdo vai ser um pouco diferente aqui do blog: nesta cartinha semanal, além dessas aventuras imaginativas, momentos de vulnerabilidade e polianices cotidianas; também pretendo compartilhar dicas mais práticas e pequenos truques que fazem parte do meu dia-a-dia, ajudando a tornar tudo mais leve e bonito – pode ser uma receita fácil e gostosa, um penteado descomplicado, um DIY rapidinho para deixar a decoração mais divertida, um livro que me fez repensar uma questão, uma música para animar a segunda-feira ou uma ideia de sobreposição de roupas para o inverno.

Estou fazendo tudo com muito carinho e amanhã será enviada a primeira. Estão todos convidados a se inscrever (aconselho a checarem sua caixa de spam depois, porque às vezes o email de confirmação vai parar lá.) Vou adorar ter vocês, que me acompanham aqui há pouco ou muito tempo, em mais essa jornada ♡

 

 

muuuito amor!

“(…) Muitas boas surpresas ocorrerão à medida que você compreender que, ao amar sem esperar resultados, os resultados são melhores do que os originalmente esperados. (…) Não se importe se as pessoas não lhe correspondem. Você aprenderá, neste momento, que o amor faz bem principalmente a quem o emite. E termina sendo algo beneficamente contagioso: magnetiza e afeta, transformando o mundo em torno de si, tornando-o um lugar melhor.”

(no meu tarô conselheiro de outro dia)

 

Vivo lendo em blogs coisas como “comecei esse blog sem pretensão alguma e olha no que ele se transformou”, “agradeço todos os comentários carinhosos porque vocês mudam meu dia”, mimimi. Chegou a se tornar um clichê até. Mas só sendo blogueiro (ODEIO essa palavra) para saber o real significado que isso de fato tem em nossas vidas.

Comecei o drops há sete anos (!), em janeiro de 2003, logo que entrei na faculdade (ele ficava no extinto weblogger). E no começo era super diarinho mesmo (tanto que tenho o link do mundo perdido de drops-de-anis-jurassic-park mas não vou mostrar porque tenho vergonha, haha). Desde então, muitas coisas aconteceram na minha vida graças a este cantinho. Amizades foram estreitadas, escrevi para a Capricho por mais de dois anos, consegui meu job na Jungle quando tava em Londres e otras cositas más. Tenho seguidores fiéis, que me acompanham há um tempão. Muitos que se perderam pelo caminho, outros que vêm de vez em quando, outros novos que mal começaram… Mas o maior ônus, sem dúvida, é o amor que recebi em troca, muito de pessoas que eu jamais vi na vida.

Eu AMO, muito mesmo, quando recebo recados carinhosos, de gente que diz que se identifica com alguma coisa, que eu mudei a visão sobre certo assunto, que eu melhorei seu dia e coisas do tipo. E esse tipo de coisa é que muda o MEU dia.

Porque eu já tive muitos problemas nesses sete anos por causa deste blog também, de achar que estava me expondo demais, de gerar conflitos, de querer acabar-com-tudo-pronto-cansei-fim. Mas, no fundo no fundo, acho que não seria capaz. Eu gosto demais daqui, sabem. Como me disse a Larissa certa vez, é através do blog que organizo minhas ideias para tentar enxergar o lado bom das coisas, mesmo as mais ruins, como glass half-full gal que eu sou. E eu juro para vocês que eu queria ser 100% do tempo essa garota otimista que vocês acham que eu sou, apesar de eu não ser exatamente assim no meu dia-a-dia. Na vida cotidiana e nas burocracias e nas chatices que me aborrecem, eu sou bem é garota-enxaqueca. Mas através do drops eu projeto a garota que quero ser, e ele me ajuda nisso. E vocês me ajudam.

O número que tenho de visitas aqui é ridículo se comparado a grandes veículos ou blogs hypados. Mas prefiro ter meus poucos e bons, que vêm aqui cheios de afeto, do que um monte de gente que só visita para pentelhar e azedar a vida alheia. Então, se você gastou seu tempo para vir até aqui ler o que escrevo e ainda me deixar um recado que com certeza vai colorir muito o meu dia, meu muitíssimo obrigada, de coração. Queria ter tempo e estar perto para um café e um abraço de verdade, falar sobre a vida. Como não dá, vai meu beijo virtual mesmo. Porque um dia eu recebi uma carta de Julia, lá de Vitória, me contando todas as mudanças que eu causei na vida dela, sem querer, só escrevendo meus textos aqui quietinha. E eu lhe disse que, se eu soubesse que um dia eu ajudei UMA pessoa, então tudo terá valido a pena. E, graças a todos vocês, vale sempre. Cada dia mais.

Um grande beijo para quem leu até o final!

:*

 
 

 

o rito necessário do encontro

“(…) No dia seguinte o principezinho voltou.
– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… É preciso ritos.
– O que é um rito? perguntou o principezinho.
– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias! (…)”

(Antoine Saint-Exupéry, “Le petit prince”)

 

Não sei se foi costume de criança, de educação ou de ver outra pessoa. Nunca parei para pensar daonde vêm certos hábitos, a verdade é que quando paramos para reparar eles já estão ali: instalados. E esse foi um deles: o de tornar tudo um rito. Lembro-me de, ainda pequena, sempre escolher a melhor roupa para ocasiões especiais. E isso incluía desde as roupas de baixo até as meias – tudo tinha que ser ‘estréia’, com cheiro e cor de roupa nova, para trazer sorte e carregar para sempre lembranças de um dia bom. Toda as vezes seguintes em que eu fosse vestir aquela roupa eu me lembraria do natal especial em que a usei pela primeira vez, ou daquele aniversário em que reuni todos os queridos para comer brigadeiro e vestia, além da blusa nova, um sorriso de orelha a orelha.

Até hoje ritualizo mesmo as coisas banais do dia-a-dia. Para mim, a arte de fazer de todos os detalhes um ritual ‘santifica’ as ações. Nada passa despercebido, nada é feito mecanicamente ou por acaso. Escolher a roupa, os detalhes, o lugar, a música. Não que ações espontâneas não sejam bem-vindas – porque são. Apenas gosto de transformar tudo ao redor com pequenas delicadezas, por uma vida menos ordinária. Mesmo sabendo que a chuva não prevista no fim do encontro é que às vezes traz as melhores recordações da noite toda, com um beijo roubado no meio do aguaceiro; para mim faz parte programar, planejar, se dedicar. Acho um cuidado todo especial para com o outro e para com nós mesmos, com a vida, pensar em todas as pequenices que engradencem as situações. Talvez seja um leve sintoma de TOC. Porque ascendente em virgem eu já sei que não é.

 

*inspirado na comunidade da Mell


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