Archive for the 'capricho' Category

tudo de bom

Dois anos e meio atrás recebi um convite para participar de uma seção nova da Revista Capricho, via comentário de blog. Fiquei meio receosa, até descobrir que a Naty, amiga antiga de blogosfera, estava por trás do projeto. Mergulhei de cabeça e me tornei uma colaboradora da seção “TudoDeBlog”‘.

Durante esse tempo, muitas alegrias vieram por causa dele. A primeira vez que vi um texto na revista foi uma emoção sem-fim. Lembro com um carinho muito especial desse momento: foi num dia bem difícil para mim, tinha acabado de me desligar de uma situação intolerável, e passei em uma banca de revistas para fuçar. Ver meu nome e texto escrito com tanto carinho na revista que acompanhou toda minha adolescência me deu um respiro de esperança. Fiquei sorrindo como boba pela avenida paulista, com os pés flutuando feito paixão à primeira vista. E os outros que vieram em seguida, de alguma forma, me pegaram num momento instável e foram capazes de transformar não só um dia cinza, como também muitas das minhas esperanças de futuro.

Então, há cerca de vinte dias, Naty nos escreveu para dizer que iria mudar tudo, para dar novo respiro ao time. E eu entrei no bolo dos que tiveram que partir. Devo confessar que me deu uma dorzinha no peito ao saber disso, mas, ao mesmo tempo, já sentia que não fazia mais parte “da turma”. Tendo 24 anos, a maioria das pautas já não fazia mais parte do meu cotidiano de profissional-graduada-comprometida-quase-casada.

Desejo a quem ficou (e a quem vai chegar), muita sorte e inspiração, para trazer um pouco mais de diversão e reflexão para as leitoras (tudo assim, bem ÃO e maiúsculo). Dizem que para um amor ser bom, ele só deve durar o tempo que merecer. E o nosso acabou. Sem lenços e chororôs, mas com uma certeza: foi bom enquanto durou.

Anúncios

minha ilha perdida é aí

Irônico como minhas férias favoritas não foram umas de verão, mas de inverno. Era 1995 e eu fui com a família para Paquetá, ilha no litoral fluminense. Era julho e mesmo assim fez sol todos os dias. Não entravam carros na cidade, as ruas eram de pedra e havia um lúdico cemitério de passarinhos, para onde jurávamos que levaríamos o nosso quando ele falecesse. Lá também havia a casa e a pedra da Moreninha, livro que minha mãe me deu de presente depois. Éramos os “paulishtash” da pousada, eles jogavam totó ao invés de pebolim e comíamos feijão preto nas refeições. Fiz uma amiguinha com quem troquei cartas (pelo correio!) até pouco tempo atrás.

As muitas histórias dessa viagem, tantas que nem cabem aqui, permeiam nosso imaginário familiar até hoje. E foi exatamente indo pra lá, na rodoviária, que mamis me comprou um pacote de drops azulzinho da kids, companheiro de muitos outros ao longo da vida. Foi em Paquetá que eu provei drops de anis. E jamais larguei.

vida nova toda hora

Pra mim, todos os começos têm cheiro bom, de respiro, de novidade, de fazer diferente. Já diria Mario Quintana: ‘bendito quem inventou o belo truque do calendário, (…) que nos dá a impressão de que a vida não continua, mas recomeça.’ É assim com ano novo, primeiro dia dos doze meses, segundas-feiras e mudança de estação. Há sempre as promessas que saberemos que jamais serão cumpridas, e aquelas que realmente arregaçamos a manga para fazer acontecer. Outro dia achei uma listinha feita no início do ano de tudo o que eu queria realizar em 2008, e fiquei feliz de ver que consegui boa parte. Entraram para as conquistas a prática da yoga, aprender a me virar no espanhol e no francês, conhecer o carnaval em pernambuco e o frio argentino, fazer um trabalho voluntário, investir na fotografia e regar o amor, em todas as suas formas, que vive dando frutos à minha volta. Para o ano que vem ficaram a corrida, aprender a poupar melhor e a ter menos preguiça em certas coisas. O saldo? A alegria de me saber capaz de conquistar o que quero, a sensação de vitória que não tem preço. Os planos? De continuar alimentando a sementinha e sempre dar o melhor de mim para que não só o ano que vem, como a vida que resta, sempre prospere e venha com muitas e muitas perspectivas. Pois que venha 2009, que começa numa quinta-feira, já que outra coisa está na listinha, também: quebrar um pouco as regras e ser feliz com isso. Mesmo que não seja numa segunda.

 

doce, doce, doce: la vie est douce

Creio que foi numa revista feminina, certa vez: “lembre-se das mulheres do Titanic que recusaram a sobremesa”. Em miúdos: pode não haver uma outra chance de se deliciar com um prazer que possivelmente agregue certas gordurinhas extras indesejáveis. Sou partidária dessa filosofia.

 

Apesar de não querer fazer apologia ao ‘comer como se não houvesse amanhã’ – porque na maioria das vezes um amanhã e não queremos, de maneira alguma, que nele exista um espelho impiedoso apontando todas as nossas falhas -; faço sim apologia ao comer com prazer e a permitir-se certas loucurinhas gastronômicas. Para mim, almoços com queridos e jantares em família somam, com certeza, as horas mais felizes do dia. Pela troca de experiências, amores, sabores e dissabores. Jamais me privarei disso com medo do biquíni. Por isso, abaixo à ditadura da magreza-anoréxica e sim ao comer com prazer! Afinal, nada como uma boa sobremesa bem acompanhada de alguém querido para curar qualquer dor ou mal, sabe como? Com açúcar e com afeto.

ideologia, uma pra viver

Eu defendo a gentileza o tempo todo, já que não ocupa espaço, arranca sorrisos e torna a vida mais colorida. Defendo sobremesas gostosas que não engordem, brigadeiro aos finais de semana e friozinho com chuva quando queremos ficar em casa. Defendo os cuidados quando estamos doentes, mimos quando estamos carentes e paciência alheia na tpm. Defendo respeito à diversidade, consciência social, erradicação da fome e vontade de querer mudar o mundo. E arregaçar as mangas para fazê-lo. Também luto pelos dias de sol quando o humor não é dos melhores, porque o céu azul tem poderes fantásticos sobre o bichinho-depressivo-devorador-de-felicidade. E uma canção para alegrar o coração, assim, bem piegas: amor infinito nunca é demais, e eu defendo, acima de tudo, esse amor incondicional por tudo e por todos. Amar é brega mas é bom.

independência ou vida

Houve um tempo em que eu me julgava superindependente-senhora-de-mim. Isso foi há uns anos, e eu nem o era de verdade. E houve outra época, quando morei fora, que eu realmente dependia apenas de mim mesma para tudo na vida, e foi nessa hora em que eu mais quis colo para me prender, alguém de quem depender. E percebi que, mesmo quando nos julgamos assim tão ‘independentes’, sempre precisamos nos apoiar em outra pessoa, em uma situação. Se eu pago as minhas contas, é porque alguém me dá um salário em troca do meu trabalho. Se eu só uso transporte público, dependo da boa situação em que ele se encontra para funcionar. E, mesmo a pé, dependo de calçadas em condições razoáveis e faróis abertos. Não há independência completa nesse mundo e, no fundo, é bom saber ter alguém para apoiar, pedir consolo e ombro, chorar. E digo sem medo de ser feliz que, se essa pessoa não houver, dependo de mim e de minhas asas, de minha vontade de ver o mundo mudar. E com isso – ainda bem! – sei que posso contar. De-olhos-fechados.


Blog Stats

  • 164,562 hits