numa tarde abafada de verão eu reconheci que meu espírito se quebrou um pouco

“não vou me deixar embrutecer
eu acredito nos meus ideais
podem até maltratar meu coração
que meu espírito ninguém vai conseguir quebrar”

Este trecho da música da legião urbana foi o que me fez chorar no fim de tarde de uma quinta morna de verão. Porque eu me lembrei que, por boa parte da adolescência, este mesmo trecho ficou dentro da minha carteira, escrito à mão, para me lembrar que podiam maltratar meu coração, não me amar de volta, devolver com indiferença ou descaso: meu espírito ninguém ia conseguir quebrar. Esse trecho era quase um manifesto de resistência rebelde e ingênua, adolescente.

Tantos anos se passaram. Tanto coração partido e machucado, surrado. Tanto desamor. Então me dei conta de que meu espírito se quebrou porque hoje eu quase nunca deixo ninguém entrar. Eu não abro a porta, eu não convido mais. Talvez eu pouco acredite, e isso é ruim. É triste demais um coração esvaziado de expectativa ou de vontade. A música seguinte é quase uma continuação, reconhecendo a importância do amor passado e um “lá vem de novo, acho que estou gostando de alguém”. Vamos ver o que os próximos capítulos nos reservam. 

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