Arquivo para junho \06\UTC 2017

amores fragmentados

Uma paixão-relâmpago que aconteceu pontualmente em alguns momentos do ano passado retomada com vontade num sábado embriagado, e que se desenrolou exatamente como era para ter sido: sem ser. Beijos trocados com muito afeto e pouca afinidade numa noite fria de quarta-feira em que saí para comprar chá, e a mensagem com declaração de amor que eu nunca mais respondi – eu não sentia o mesmo. Um romance-que-poderia-ter-sido-e-não-foi há mais de dez anos me esperando por acaso no terminal do desembarque do aeroporto do outro lado do atlântico. Tanto aconteceu na minha vida desde aquela época, e na dele. E mesmo assim nos reconectamos, e trocamos impressões sobre diversos assuntos enquanto caminhávamos entre as obras do museu do prado, ou divagando pelas ruas barcelonenses num domingo à noite procurando a melhor pizza da cidade enquanto acontecia uma final de futebol na tevê. E é naquela qualquer coisa de triste dos olhos dele que se encontraram com o que havia de qualquer coisa de triste nos meus que nos sentimos à vontade para desabafar nossas vulnerabilidades; e eu passei um bom tempo das semanas seguintes pensando nas voltas que o mundo dá e como, inesperadamente, podemos reencontrar um pedaço nosso que se partiu há tanto tempo. No meu celular piscam mensagens de amores líquidos novos e antigos e aquela angústia que não cessa num vazio que não cansa. Eu ainda não sei recusar um convite porque tenho uma vontade que acredito ser genuína de fazer as coisas, mas já deveria ter aprendido que não é – já que sempre desmarco na última hora e deixo as pessoas ao redor desapontadas. Nota mental: eu deveria ser mais adulta. Machuco os outros sem me dar conta, e numa terça à noite chuvosa de junho eu cancelei três programas porque preferi ficar em casa sozinha lendo. Não tem comida para o jantar. 

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