there will never be another you

Eu estava voltando de mais uma viagem inspiradora, o coração cheio de sonhos e o céu cheio de azul. Era julho. No banco de trás do carro, encarando as montanhas que passavam borradas a 100km por hora. Então tocou aquela música. A música que você colocou para tocar no nosso terceiro encontro, enquanto eu cozinhava nosso jantar. Que me deixou tão surpresa – após bater a cabeça por tanto tempo com tantos amores errados e líquidos e reprimidos; como poderia alguém assim, sem a menor cerimônia, colocar para tocar um “estou tão apaixonado por você, que tudo o que você quiser fazer, está bom para mim. vamos ficar juntos“? E essa música então apareceu, do nada, num momento aleatório de uma viagem de carro, em algum quilômetro perdido no meio da Dutra. E eu comecei a chorar. Sem nem pensar, sem tentar controlar. Eu comecei a chorar porque pensei em você e você não está mais aqui. Eu comecei a chorar porque quando você apareceu, você mudou tudo. Porque eu penso no seu sorriso, nos seus olhos cor de mar-verde, em como eu me sentia ao seu lado. E você não está mais aqui. Foi a primeira vez que chorei desde que você partiu.

(…)

Algumas horas mais tarde, peguei o fusca para voltar para minha casa. Era primeira vez que eu dirigia uma longa distância à noite em muito, muito tempo. Porque por anos eu tive medo de dirigir e o fazia o mínimo possível. E eu estava lá, na Radial Leste, admirando meu skyline favorito da cidade com suas mil luzes acesas, a torre da Gazeta. Pensando em como minha confiança no volante mudou drasticamente em apenas algumas semanas, sem saber ao certo porquê. E me deu um estalo: foi você. Você que chegou dizendo o quanto eu era fantástica, que achava tudo no meu mundo incrível, que me incentivou a ir atrás dos meus sonhos. Eu nunca havia visto isso tão claramente antes, mas quando eu digo que foi você que mudou tudo, eu quis dizer: tudo. Foi por sua causa que eu tirei o carro da garagem. Que me arrisquei num trabalho com um amigo. Que lancei um projeto pessoal. Você, você, você. Foi por causa da sua influência, da sua maneira de enxergar as coisas. Em algumas semanas, você virou meu mundo de ponta-cabeça – e nem estou falando apenas do romance: estou falando também de olhar o mundo de cabeça pra baixo mesmo, como a carta do enforcado no tarô, de mudar a perspectiva de tudo. Foi seu amor acolhedor, generoso e gentil que fez o que os amores fazem de mais incrível: nos transformar em pessoas melhores. Que sorte a minha.

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2 Responses to “there will never be another you”


  1. 1 aline março 20, 2017 às 3:11 pm

    que delícia encontrar um amor assim. de fato: que sorte a sua!

  2. 2 Juliana Clorado março 22, 2017 às 10:47 am

    ah, os amores que inspiram…
    =)


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