Arquivo de janeiro \18\UTC 2017

uma terça de verão e choveu sem parar

… e o dia amanheceu cinza e fresco e eu tive que buscar um moletom para aquecer os braços gelados. Acho que foi a frente fria trazida pela chuva, talvez. Uma ressaca retumbante da noite de espumante com a amiga que acabou de se divorciar mas está apaixonada e era apenas segunda-feira ainda. Eu brigando com a gerente do banco com coisas tão desimportantes no macro mas que impactam tanto no micro como a anuidade do cartão de crédito, quando um telefonema gira o mundo em 180º. Para comunicar a morte de um querido conhecido há mais de 20 anos, que hoje tinha apenas 32 e teve uma parada cardíaca.

Um sopro abrupto e de repente muito já não está no mesmo lugar. A fragilidade da vida, o estar aqui e de repente não estar. Num domingo turbulento, esse amigo teve uma briga séria e terminou um relacionamento de muitos anos; e na noite prosaica de segunda-feira, ele estava fazendo planos de passear no parque domingo se melhorasse da virose. Em algum momento, ele deve ter pensado que tinha todo o tempo do mundo para pedir desculpas e acertar esse relacionamento de alguma forma. Ele deve ter feito uma lista de resoluções de ano-novo jogada em algum canto em que ele dizia para si mesmo que 2017 seria ‘o ano da sua vida’. Ele não deve ter pensado na morte em momento algum, porque a gente nunca pensa. E na terça de manhã ele já não estava mais aqui para fazer as pazes, parar de fumar, voltar para a academia ou virar vegetariano. Enquanto eu brigo com minha gerente do banco sobre coisas que não são realmente importantes, há pessoas lá fora também achando que têm todo tempo do mundo para se preocupar com frivolidades, mas estão morrendo – e é esse reconhecimento do fim, que por algum tempo, nos norteia quando somos impactados por alguma tragédia próxima. De entender que tudo que aqui está, pode amanhã não estar. De aproveitar a vida, os pequenos momentos, os grandes sentimentos.

Até a gente sublimar tudo isso e voltar a fazer planos achando que tem todo tempo do mundo. Mesmo sem ter.


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