esperando o melhor, mas sempre preparada para o pior

Assando uma torta de limão quase de madrugada, e o cheiro de manteiga da massa tomando conta da casa. No quinto dia de outubro em que há três anos eu realizava o sonho de me mudar para este apartamento, este ano foi o dia em que eu tive que pedir dinheiro emprestado, após ter uma crise de choro porque me dei conta de que a empresa pra qual eu presto serviço freelancer não tem previsão de me pagar os dois meses que estão atrasados e o que eu tinha disponível não seria mais suficiente para pagar o aluguel e a fatura do cartão de crédito. Em que eu fico questionando se devo mesmo viajar para reencontrar um amor antigo porque a recepção dele não foi tão calorosa quanto eu esperava; após ter tirado o tarô em que saíram as cartas mais auspiciosas possíveis me dizendo que sim, esse era o caminho, “união bem-sucedida” e “recuperando a fé no amor”.

Eu acreditei em tudo. Eu sempre acredito em tudo. Eu sempre serei a pessoa que vai pegar o avião, tomar o ônibus, entrar no trem, para reencontrar alguém. Talvez eu tenha crescido assistindo comédias românticas além da conta e acredite nesse tipo de gesto apaixonado na vida real; portanto eu sempre vou dar essa chance ao amor, porque jamais quero ser uma Nathalia mais velha amargurada e arrependida por ‘não ter tentado’. Mas é essa mesma crença otimista que vezenquando me desestrutura por reconhecer que doo muito e muitas vezes recebo apenas migalhas. E o que retumba na minha cabeça em looping é uma frase que vi num seriado, sobre como a gente tem que “esperar o melhor, mas se preparar para o pior“. Então eu estou sim esperando que as previsões do tarô se confirmem e o melhor aconteça e esse romance interrompido tenha sua merecida segunda chance; mas, ao mesmo tempo, cá estou eu, pensando onde ficarei e o que farei com três dias numa cidade que nunca tive vontade de conhecer, que fala uma língua sobre a qual não tenho domínio algum e ainda num frio paralisante, no início do inverno alemão. Ser sonhadora às vezes é tão cansativo.

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3 Responses to “esperando o melhor, mas sempre preparada para o pior”


  1. 1 Juliana Clorado outubro 7, 2016 às 10:05 am

    se a gente deixar de sonhar, não sei o que será de nós amiga
    =)

  2. 2 Marcelo Rezende outubro 12, 2016 às 2:03 am

    Opa, prazer! Conheci seu blog pela Central do Textão. Achei bem bacana. Também faço freelas de vez em quando e entendo do sofrimento que é esperar o pagamento. Pelo pouco que li aqui acho que você deve ser o tipo de pessoa que gostava de assistir Friends, por conta de acreditar em pegar o avião pra reencontrar alguém rs. Parabéns pelo blog, até salvei ele aqui na minha lista de indicações, espero que não se importe: https://blogmonocordios.com/cidadesvizinhas Um abraço.

  3. 3 Dani outubro 13, 2016 às 12:39 pm

    oi! tudo bem? tem algum tempo que achei seu blog e li alguns posts aleatórios, mas nunca tinha comentado aqui. acho bonito o modo como vc tenta ver as coisas, às vezes é um alento ver gente assim sonhadora. obrigada! independentemente de qualquer coisa, a Alemanha tem paisagens lindas e poucas coisas são tão gostosas quanto tirar as luvas para segurar uma xícara quente.
    sobre a frase do seriado, receber o melhor ou pior, migalhas ou o melhor pedaço, pode ser apenas uma questão de perspectiva. talvez vc nem precise de nada porque já tem tudo aí. boa viagem!


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