Arquivo para setembro \29\UTC 2016

um pé de ipê na calçada e um sabiá laranjeira na janela

Acordo todos os dias antes das seis com os pássaros cantando perto da minha janela. Aos poucos tudo vai se abrindo – meus olhos, os dias, os caminhos, as posturas na yoga, as flores da primavera. Ando pelas ruas olhando todas as árvores e encantada com tanta flor desabrochando, de um setembro que chegou para empurrar pra longe todas as nuvens carregadas que pairavam neste céu. Sábado estava chegando em casa e um casal me abordou para contar que eram da associação de árvores do bairro e que saem aos finais de semana plantando “árvores nobres” nas ruas e se poderiam fazer o mesmo debaixo da minha janela. Me senti como se alguém estivesse me pedindo permissão para me dar um presente…? “Tem gente que não gosta, dizem que faz sujeira, os passarinhos incomodam…” Fiquei meio chocada pensando que o mundo se divide entre pessoas que acham a natureza um espetáculo e outras que acham um incômodo.

Numa quinta-feira em que passei a manhã colhendo amoras no quintal, fiquei o dia todo com os dedos roxos e não cabulei a terapia; eu comecei a chorar enquanto fazia meu almoço porque pouco antes disso estava combinando de reencontrar durante uma viagem um amor pausado há seis anos e tocou mmmbop na playlist de pop dos anos 90 e eu me lembrei da garota que eu era aos 13 ouvindo essa música olhando para o desenho que as nuvens fazem no céu deitada na cama do quarto sonhando com uma vida que é a minha hoje e foi um longo caminho mas eu cheguei até aqui e a Nathalia de 13 anos ficaria orgulhosa. E agora eu tenho até uma árvore. 

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