Arquivo de julho \25\UTC 2016

na minha playlist só toca chet baker

Dia desses fui coar o café e o cheiro me lembrou da nossa hora favorita do dia. Eu moendo os grãos quando havia grãos e espalhando um monte de pó na bancada, porque sou desastrada e precisão não é meu forte. E aquele cheiro tomando a cozinha, sem o som do seu sorriso ao fundo. Você não está mais aqui. A mesa de jantar precisando de calço, outros cinco lugares vazios, ninguém sentado à minha frente para refletir o sol da manhã nos seus olhos e ser emoldurado pelas duas pombinhas de origami que eu fiz na parede. Você não está mais aqui. O chão de tacos coberto por dois tapetes gráficos para aquecer uma casa que se tornou muito grande e muito fria para uma pessoa só e um coração cheio de saudade. Você não está mais aqui. 

Abro todas as janelas para deixar o ar fresco de uma manhã ensolarada de inverno tomar a casa. Fico acompanhando o movimento da luz do sol ao redor do apartamento ao longo do dia, banhando cada hora um cômodo diferente. Você não está mais aqui. Esqueci de tirar o frango para descongelar na noite anterior, e vou ter que almoçar omelete, como quase sempre acontece. Você não está mais aqui. 

(…) Quando voltei de viagem, havia flores murchas nos vasos espalhados por vários cantos; e uma louça excessivamente seca na pia. Você não está mais aqui. Fui comprar pão na padaria e na tevê do boteco da esquina o Datena falava sobre um atentado na França e meu coração parou e eu só conseguia pensar em você e voltei correndo pra casa para ver o que havia acontecido e voei os degraus que pareciam infinitos dos dois andares até o quinto apartamento do predinho-antigo-que-não-tem-elevador e me deixou ainda mais sem fôlego até eu ver que foi em Nice e não em Paris e te mandei uma mensagem que você viu mas não respondeu mas eu soube que estava tudo bem porque você nunca foi bom em responder mensagens, e finalmente pude respirar novamente. De alguma forma, você ainda está aqui.

mais um drops

Queridos, amanhã tem início um projeto meu que foi bastante pensado e querido: o lançamento de uma newsletter pessoal, em que pretendo compartilhar um pouco do meu mundo. Apesar de ter também reflexões mundanas, o conteúdo vai ser um pouco diferente aqui do blog: nesta cartinha semanal, além dessas aventuras imaginativas, momentos de vulnerabilidade e polianices cotidianas; também pretendo compartilhar dicas mais práticas e pequenos truques que fazem parte do meu dia-a-dia, ajudando a tornar tudo mais leve e bonito – pode ser uma receita fácil e gostosa, um penteado descomplicado, um DIY rapidinho para deixar a decoração mais divertida, um livro que me fez repensar uma questão, uma música para animar a segunda-feira ou uma ideia de sobreposição de roupas para o inverno.

Estou fazendo tudo com muito carinho e amanhã será enviada a primeira. Estão todos convidados a se inscrever (aconselho a checarem sua caixa de spam depois, porque às vezes o email de confirmação vai parar lá.) Vou adorar ter vocês, que me acompanham aqui há pouco ou muito tempo, em mais essa jornada ♡

 

 

sem limite de caracteres

Outro dia estava lendo uma matéria sobre vida profissional e dizia que a primeira pergunta que os coaches fazem é “quando você era criança, o que você queria ser quando crescesse?”. E minha resposta, sem nem pensar duas vezes, foi “escritora!”. Lembro como se fosse hoje as redações cheias de histórias e reviravoltas que eu escrevia, os professores elogiando minha narrativa e imaginação fértil, ser leitora voraz desde muito cedo e a melhor aluna de literatura do colégio, ver meus rabiscos publicados nos jornaizinhos da escola – e a primeira vez que vi um texto meu na Capricho, uma das conquistas mais queridas que tenho até hoje.

Apesar de não me considerar um grande talento, ainda gosto demais de escrever, e de ver a conexão linda que isso cria com as pessoas. Agora, minhas reflexões mundanas também estarão na Central do Textão, endereço de resistência de quem ainda quer usar a blogosfera para publicar um monte de coisas bacanas e que se esparramam por muito mais do que 140 caracteres. Vale pegar uma boa xícara de café e dar uma parada no seu dia para conferir!

Central do Textão


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