mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer

Atrás da casa dos meus pais tem um bufê infantil. Sempre teve muita festa lá, principalmente de sexta a domingo, de dia, à noite. Quando eu morava lá, achava um pouco irritante não conseguir tirar um cochilo no sábado à tarde sem vir acompanhado de parabéns-a-vocêee, e toda uma sequência de músicas e brincadeiras que eu sabia de cor. Mas uma coisa me confortava: eu podia estar curando uma ressaca ou um coração partido, curtindo um novo emprego ou paixão, planejando uma viagem ou estudando para uma prova, superando um luto ou comemorando uma conquista; não importa – sempre haveria alguém fazendo aniversário, celebrando. Era uma lembrança pontual dos ciclos da vida, da sabedoria budista de que tudo é impermanente, “isso também vai passar”.

Outro dia estava visitando e, enquanto estendia as roupas no varal para ajudar a minha mãe, cantarolando “lua de cristal” (sim); ouvi o famigerado “parabéns a você”, e tudo isso me voltou: a impermanência das coisas, os ciclos. Aquela garota que ficava sentada por horas naquele local fitando o céu e sonhando com uma vida cheia de promessas de futuro, com sede de mundo. E não saber o que está por vir, por alguns instantes, deixou de ser assustador: foi reconfortante. 

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1 Response to “mas as pessoas na sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”


  1. 1 Juliana Clorado junho 14, 2016 às 3:50 pm

    jura? esse não saber está me deixando um tanto angustiada dessa vez
    =/


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