visita inesperada

Fazia três dias que minha casa estava vazia, pedindo um respiro após tanto desgaste, clamando por outros móveis e energia, esperando uma cara nova. Desmarquei compromissos para um encontro dos mais importantes (renovar meu refúgio), e passei a quinta-feira quase inteira fazendo faxina e limpando cada canto, espalhando sal grosso e acendendo incenso. No fim do dia, na lavanderia, ao puxar um pano seco de um balde, um inseto verde levantou voo furioso e de sopetão. Me assustei, pensando ser uma mosca varejeira – das quais não gosto e concluo serem mau agouro (são?). Meio contrariada de saber que um inseto estava estragando todo o meu profundo processo de limpeza (literal e metafórico), fui para a cozinha preparar o jantar, porção individual. No que reparei no tal inseto, na parede em cima da geladeira. E não era uma mosca: era uma esperança. Igual a um dos meus contos favoritos de Clarice.

Você pode ficar aí, eu disse sorrindo.

“Você faz o favor de facilitar o caminho da esperança”, fiquei recitando mentalmente. Não demorou muito para que eu voltasse a cantarolar as músicas que eu cantava antes, enquanto estava empunhando a vassoura pela sala. Esse inseto sim eu sabia ser sinal de bom presságio, de promissores acontecimentos vindouros e futuro auspicioso. Ficamos lá na cozinha um bom tempo: eu, a esperança e músicas animadas tocando de fundo.

Dez dias depois, algo mágico aconteceu. E acho que tem muito a ver com esta visita.

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