quem quer passar além do bojador tem que passar além da dor

Depois da tempestade simbólica, continuou um calor infernal e literal. A casa ficou muito grande, cheia de espaços vazios a serem preenchidos e poeira se escondendo pelos cantos. O fim das águas de março esgotou minhas energias e me derrubou de cama por uma semana, à base de antibióticos e analgésicos. Mas passou a dor, a inflamação. Passou o calo no coração. Eu não quis mais olhar para trás.

Os processos que eu achei que seriam muio impactantes com a chegada de abril estão se arrastando longamente para serem concluídos, e com eles veio a lição de entender o tempo das coisas e respeitar a cicatrização. Esperar chegar o jogo de panelas comprado pela internet, esperar secar a massa corrida na parede, escondendo os buracos deixados. Esperar. E, ao olhar no espelho, abrir um sorriso ao me perceber ter vencido tudo isso, ter chegado até aqui. 

 

 “(…) E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”
(Haruki Murakami, em “Kafka à Beira-Mar”)

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