águas de março

Quando março chegou, eu sabia que seria um mês de cinco semanas e inúmeras lições. Eu sabia que viria uma cirurgia e uma despedida. Mas não contava com também uma ruptura e um desgaste tão profundo que culminou num colapso e numa crise de choro compulsivo ao preparar o almoço de Páscoa.

Quando alguém muito próximo resolveu apontar o dedo em minha direção e com ele grifar tudo o que tenho de falhas, defeitos e humanidades, me faltou o chão. Passei muitos dias consecutivos gastando tempo e energia rebobinando infinitamente na minha cabeça tudo o que havia acontecido, onde eu havia errado. Me achando uma pessoa ruim, mesmo tendo doado meu tempo quase integral durante um mês apenas a outros. Encarei minha sombra e fiquei questionando a medida do mal. Num mundo real e não-maniqueísta, em que todos somos um pouco bons e um pouco ruins, existe defeito mais repreensível que outro? Existem qualidades mais nobres que neutralizem nossas sombras? Se eu for mesmo assim tão má, eu deixo de ser boa? Mas eu sei que sou uma pessoa boa e do bem em muitas coisas, isso não conta pra nada? Quanto autoconhecimento conseguimos tirar de um empurrão?

***

Depois de muita reflexão, concluí que todos somos feitos de sombra e luz – e é isso que traz à tona todas as nuances que tornam cada um de nós tão único e especial. Como em todos os outros tombos, eu escolho tirar lição de tudo que me acontece e levar o melhor de todos que cruzam o meu caminho, inclusive dessa pessoa que me machucou. E usar tudo para digerir, entender, refletir e evoluir. Mas não vou negar: que alívio quando chegou abril! Ah!bril.

 

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2 Responses to “águas de março”


  1. 1 Juliana Clorado abril 20, 2016 às 10:39 am

    puxa amiga, o que houve hein?!
    =/

  2. 2 Letícia Luz abril 20, 2016 às 10:14 pm

    poxa vida! que golpe baixíssimo! Quando a gente se doa demais para os outros, isso sempre acontece. Quem é assim nunca muda (eu sou assim também), mas aprende a conviver com isso. O problema é aprender. Pelo menos quando a gente chora, alivia tudo, não é?


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