Arquivo para abril \30\UTC 2016

abrindo o horizonte

“(…) E o nome do mês de abril tem duas origens bem bacanas, Nath: ‘Uma é que o mês vem de aperire, “abrir” em latim, o que lembraria a primavera e o desabrochar das flores. A outra versão vem de uma comemoração sagrada, aprilis, feita em nome de Vênus, deusa do amor.’
E por aqui, eu vou criar um pouco de luz para tentar dar uma clareada nesse horizonte!”
(mensagem de um amigo querido, recebida no meio desse mês auspicioso)

Abril, o mês das melhores surpresas, se encerrando hoje com (quase) tudo em seu devido lugar. Abril: obrigada por nunca me decepcionar. <3 

quem quer passar além do bojador tem que passar além da dor

Depois da tempestade simbólica, continuou um calor infernal e literal. A casa ficou muito grande, cheia de espaços vazios a serem preenchidos e poeira se escondendo pelos cantos. O fim das águas de março esgotou minhas energias e me derrubou de cama por uma semana, à base de antibióticos e analgésicos. Mas passou a dor, a inflamação. Passou o calo no coração. Eu não quis mais olhar para trás.

Os processos que eu achei que seriam muio impactantes com a chegada de abril estão se arrastando longamente para serem concluídos, e com eles veio a lição de entender o tempo das coisas e respeitar a cicatrização. Esperar chegar o jogo de panelas comprado pela internet, esperar secar a massa corrida na parede, escondendo os buracos deixados. Esperar. E, ao olhar no espelho, abrir um sorriso ao me perceber ter vencido tudo isso, ter chegado até aqui. 

 

 “(…) E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido.”
(Haruki Murakami, em “Kafka à Beira-Mar”)

águas de março

Quando março chegou, eu sabia que seria um mês de cinco semanas e inúmeras lições. Eu sabia que viria uma cirurgia e uma despedida. Mas não contava com também uma ruptura e um desgaste tão profundo que culminou num colapso e numa crise de choro compulsivo ao preparar o almoço de Páscoa.

Quando alguém muito próximo resolveu apontar o dedo em minha direção e com ele grifar tudo o que tenho de falhas, defeitos e humanidades, me faltou o chão. Passei muitos dias consecutivos gastando tempo e energia rebobinando infinitamente na minha cabeça tudo o que havia acontecido, onde eu havia errado. Me achando uma pessoa ruim, mesmo tendo doado meu tempo quase integral durante um mês apenas a outros. Encarei minha sombra e fiquei questionando a medida do mal. Num mundo real e não-maniqueísta, em que todos somos um pouco bons e um pouco ruins, existe defeito mais repreensível que outro? Existem qualidades mais nobres que neutralizem nossas sombras? Se eu for mesmo assim tão má, eu deixo de ser boa? Mas eu sei que sou uma pessoa boa e do bem em muitas coisas, isso não conta pra nada? Quanto autoconhecimento conseguimos tirar de um empurrão?

***

Depois de muita reflexão, concluí que todos somos feitos de sombra e luz – e é isso que traz à tona todas as nuances que tornam cada um de nós tão único e especial. Como em todos os outros tombos, eu escolho tirar lição de tudo que me acontece e levar o melhor de todos que cruzam o meu caminho, inclusive dessa pessoa que me machucou. E usar tudo para digerir, entender, refletir e evoluir. Mas não vou negar: que alívio quando chegou abril! Ah!bril.

 


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