“nem sentiu se era falso ou fevereiro”

Na minha lista de afazeres tem academia, chamar encanador, ligar para o dentista, agendar oftalmologista, lavar roupa, fazer supermercado, comprar um vaso, ir ao balé, falar com meu irmão. A cidade cinza passa feito um borrão na janela, enquanto o monitor do metrô mostra o horóscopo do dia e algumas notícias. É uma época produtiva para a vida profissional do sagitariano, disseram. Suspirei.

Quando tudo na minha cabeça são exames, cirurgia, redecorar minha casa, retomar contatos profissionais, lançar um projeto novo e encontrar conforto nos meus amigos; os amores passam líquidos e vazios pela minha vida, às margens. Já desisti de ter uma curiosidade genuína por esses romances-relâmpagos que vão tão velozes quanto vieram, que com muita vontade duram uma semana, se muito. Misturo as histórias, tomo cuidado para não trocar nomes e já nem me interessam os signos ou ascendentes. Tanto faz, tanto fez.

Numa quarta-feira melancólica de fim de verão eu estou no metrô com um livro nas mãos, pensando quando deixei de ser uma garota que sentia tudo para me tornar uma mulher que não sente nada. Nesses flashes que vira-e-mexe passam pela minha cabeça, fico questionando o que devo fazer quando me tornei a pessoa que eu sempre quis ser; mas na vida real ser essa mulher pode não ser tão legal. Chegou minha estação.

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3 Responses to ““nem sentiu se era falso ou fevereiro””


  1. 1 Patrícia Almeida Da Costa março 10, 2016 às 1:58 pm

    oi, nath. sou eu de novo. (:
    muito obrigada pela resposta ao meu comentário, achei seu e-mail tão doce que tá guardado aqui pra aquelas horas de aperto <3

    queria poder explicar tudo o que aconteceu desde meu último comentário, mas é uma longa história. li esse seu texto agora aqui no meu trabalho e to com os olhinhos cheios de água. também me perguntando "quando deixei de ser uma garota que sentia tudo para me tornar uma mulher que não sente nada". será que é depois do primeiro término traumático? depois do milésimo encontro frustrado com mais uma pessoa que só é "mais do mesmo"? depois da terapia? ou depois de ter largado ela? muitas questões.

    tenho uma trajetória um tanto estranha. nunca namorei, sempre levei os fracassos da família como exemplo de que não deveria perder tempo com isso. era uma época em que ia a festas pra ficar com pessoas e matar uma vontade que não sabia qual era. e não tinha problema nenhum nisso. estava bem. aí conheci o meu ex namorado e mudou tudo. vi o que era amar alguém e hoje só consigo pensar nisso, em querer isso de novo.

    mas, sei lá, não sei se é o fato de ter ficado quase quatro anos sem analisar isso, mas tudo parece diferente. veio essa banalização do amor livre, poliamor e variantes. acho essas correntes ótimas até mas os praticantes como um todo parecem ter entendido errado e tudo virou só a banalização do próximo. eu não sei, nath. nessas noites em que tenho saído pra espairecer e conhecer gente nova tenho me frustrado muito. é desoladora a sensação de saber que você perdeu até as esperanças.

    o que tá acontecendo? amar é uma coisa tão linda! porque estão se blindando tanto pra não sentir isso?

  2. 2 Natália março 14, 2016 às 10:49 pm

    Ai, xará. Às vezes, é muito impressionante, como nós duas não só dividimos o mesmo nome, porém, o mesmo sentimento.

    Estou me sentindo exatamente assim depois de mais um rompimento brusco de relação. Esses rompimentos modernos que você sabe que “perdeu” quando ele pára de curtir suas coisas. Não sou para esse mundo. Não quero mais brincar disso.

    Estava pensando isso, justamente agora, no meu banho. Estou me tornando uma pessoa que não se importa mais. Com signos. Ascendentes. Tanto faz, tanto fez. Não sei até que ponto isso é bom, mas vou levando. Por enquanto, estou bem, e espero que você também!

    Um beijo!

  3. 3 Ludmylla abril 10, 2016 às 10:46 pm

    oi, nath, tudo bem? salvei seu blog aqui nos favoritos, mas confesso que ele ficou um tempinho de lado. Hoje cliquei e me deparei com esse texto que é seu, mas se me permite: tão meu. “quando deixei de ser uma garota que sentia tudo para me tornar uma mulher que não sente nada”… não sei, acho que começou tentando camuflar uma dor que não deixava passar, lidando com uma espera que não poderia mais esperar. Agora tô tentando despertar de novo, me permitir, mas ao mesmo tempo me segurando pra não pular de cabeça desesperada pra sentir algo que eu nem sei se quero sentir. Enfim, acho que não ajudei muito com o comentário, mas queria dizer que você e esse sentimento não estão sozinhos no mundo.


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