um furacão

Eu estava num sobrado. No tal contexto, aquela era a minha casa. Então eu estava no andar de cima, e olhava pelo vão da escada o andar de baixo. Um furacão. Arrasando tudo. A minha casa, as minhas coisas. Um tufão, destruindo todos os cantos, arrastando tudo que encontrava pelo caminho. Rápido, um pesadelo. Quando ele se foi, me vi ajoelhada juntando os pedaços. De saia listrada, de joelhos, catando os cacos. Olhando para o que havia em minhas mãos: fragmentos de algo que um dia foi um todo, que um dia foi meu. Acordei.

***

Não precisa ser nenhum expert em mensagens subliminares de sonhos para entender que o que eu sonhei essa noite é uma mensagem do meu inconsciente materializando como está minha vida, que virou do avesso nos últimos dias. Voltando um pouco a fita, teve a virada de ano numa viagem incrível com amigos, e depois mais uns dias na praia com a minha mãe. No último dia, passei o fim de tarde olhando pro mar. “Tudo em seu devido lugar“‘, eu pensava. Me lembrando da Nathalia aos 17, que sentava olhando pro mesmo mar e sonhando com o futuro, cheia de angústias e ansiedades e borboletas no estômago.

Uma vida se passou desde esses 17 anos; e percebi que agora, aos 31, havia tido poucas ocasiões em que me senti tão plena e realizada. Tão abençoada, tão sortuda. Tão feliz. Dessa vez, com o mar no horizonte, queria mentalizar o que esperava pro meu ano; mas estava tão inundada por essa plenitude que não conseguia materializar nada. Via as ondas quebrando na areia e apenas recitava mentalmente Caio, “relaxa baby, e flui: barquinho na correnteza, deus dará“.

No dia seguinte, muito do que eu conhecia como meu mundo nos últimos dois ou três anos já não existia mais. Um choque, um abraço, choro contido. Decisões que fogem ao nosso controle. Raiva, descaso, abandono, medo do futuro. Luto. Não é a primeira vez, mas é a primeira que acontece com um emprego que eu realmente amava e no qual me sentia tão realizada. Um 2016 que começou auspicioso e cheio de pequenas boas surpresas, agora só apresenta incertezas. Mas de tombos eu entendo bem: agora é levantar, erguer, seguir e recomeçar. Como a Fênix aqui dentro nunca deixa a gente esquecer: apontar pra fé e remar.

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