keep on survivin’

“(…) then I realized: no one had told her about the end of love in Manhattan. Welcome to the age of un-innocence. No one has breakfast at Tiffany’s, and no one has affairs to remember. Instead, we have breakfast at seven a.m., and affairs we try to forget as quickly as possible. Self-protection and closing the deal are paramount. Cupid has flown the co-op!”
(cena de abertura do seriado “Sex and the City”, lançado no final dos anos 1990, com narração da protagonista Carrie Bradshaw)

Desde que vi esta cena pela primeira vez, mais de uma década se passou. Eu era uma jovem apaixonada de quase 20 anos, incorrigivelmente romântica, querendo beber o mundo numa garrafa de coca-cola. Eu ficava encantada com aquelas histórias de encontros e desencontros de quatro balzacas cosmopolitas, lindas e bem-sucedidas e bem-vestidas e superamigas, buscando o amor na cidade grande. Elas eram tudo o que eu queria ser quando chegasse a essa idade.

Corta para eu mesma, aos quase 31. Vivendo uma vida praticamente igual à das minhas então heroínas. Tem muito glamour sim, mas também tem uma luta cotidiana contra o cinismo e a indisponibilidade da maioria das pessoas que cruzam o meu caminho. Uma guerreira moderna, me digladiando bravamente num mundo de aplicativos de paquera, festinhas hipsters e paixões de uma noite só, de uma nota só. Da minha última investida, ficou um gosto amargo na boca e um vazio devastador no coração. Mais de dez anos se passaram desde que aquela garota sonhadora ouviu a história sobre o fim do romance, e algo morreu aqui dentro – ou se perdeu, e está muito, muito difícil reencontrar.

De todos os corações partidos, sempre sobrava um respiro, um suspiro de certeza de que o próximo seria maior e melhor – ou mais uma história para contar para as amigas durante uma noitada de drinques, pelo menos. E era essa certeza que me fazia jogar a foto para a direita, e entrar com fé e simpatia em mais um papo morno e desinteressante, e gastar todo o meu charme em mais um encontro sem propósito, engolindo uma cerveja gelada para acompanhar um coração que se tornou frio.

Agora, quase nem isso. Da tristeza, sobrou uma indiferença brutal, sem fé alguma de nada, e até certa serenidade a respeito. Uma tranquilidade de não ter mais que buscar, porque não há esperança de encontrar. Meu atual relacionamento é total desprovido de encanto e sentimento, de tal forma que talvez merecesse até outra denominação. Mas por enquanto ele é tão apenas um nome na minha lista de contatos, que nem me dou a esse trabalho. Bem-vindos à era do não-amor.

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3 Responses to “keep on survivin’”


  1. 1 Luciana novembro 27, 2015 às 12:52 pm

    Sinto-me exatamente assim, sem a menor vontade de colocar meu melhor vestido e meu melhor sorriso para mais um encontro sem futuro. Isso é muito triste, ainda não cheguei ao ponto de encarar tudo com a sua serena indiferença….

  2. 2 Cecília novembro 27, 2015 às 6:45 pm

    Nossa, eu tenho 22, mas já sinto isso que você está sentindo. Um desencanto. Uma falta de mágica. Tenho muito medo de não encontrar isso mais… tem sido tão difícil encontrar alguém que eu realmente admire.

    PS.: amo seu blog. =) <3


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