no horário de verão tem sol até mais tarde

Foi com susto de quem se vê pego em flagrante que me reconheci naquela carta que alertava sobre “idealismo excessivo”, sobre estar tão cansada de quebrar a cara com esse coração vagabundo e acreditar no amor e suas possibilidades infinitas que acabei me fechando num casulo para tudo que estava ao redor, esperando virar borboleta. Spoiler: não aconteceu. 

***

Então, pela enésima vez, botei meu coração no sambódromo e fui me declarar para uma paixão pausada algumas vezes, que não foi para frente porque… por quê mesmo…?! Ah sim, porque ele pisou na bola e eu não dei chance. Mas nos reencontramos quase por acaso e seus olhos continuam muito lindos e seu olhar muito tímido, e a gente ficou se atrapalhando como quem não sabe agir perto do outro, coração sambando feito bateria de abre-alas, e eu querendo dar uma nova chance, duas, três. Abri meu coração e a resposta foi positiva, convidativa, gentil, vulnerável. Eu queria acreditar que dessa vez poderia dar certo, queria tanto. Escolhi meu vestido mais bonito e, quando os planos tiveram de ser cancelados, meus sentimentos se misturaram entre a disponibilidade para sempre acreditar no outro e a lembrança agora bem vívida do motivo de termos nos afastado há alguns meses – mesmo ele tendo pedido desculpas desta vez, e ter reconhecido seus erros, e ter tentado me mostrar que seria diferente. Não foi: não nos falamos mais.

***

No meio das idas e vindas do amor, resolvi encontrar outra pessoa apenas para arejar e tirar o anterior da cabeça. Eu, com essa mania besta de julgar e rotular e colocar as pessoas dentro de uma caixinha pré-determinada; fui cheia de preguiça e má-vontade, achando que este apenas confirmaria tudo o que eu já achava dele pela pouca conversa que tivemos e pelos amigos em comum. Ledo engano – uma surpresa ótima me esperava, cheia de sorrisos encantadores e humor afiado, que me abriu um mundo de possibilidades, de autoconhecimento e descobertas e trajetória nada previsível. Que bom que ainda existe espaço para o inesperado, nessa nossa vida tão cheia de rotinas e horários e burocracias e contratos. Que bom, que bom. Dias mais longos para trazer mais boas surpresas, amém. 

 

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1 Response to “no horário de verão tem sol até mais tarde”


  1. 1 Juliana Clorado outubro 23, 2015 às 10:00 am

    adoro essas surpresinhas com que a vida nos presenteia vez em quando
    =)


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