eu passarinho

Seus olhos verdes continuam mar-sem-fim, mas agora é um mar meio desbotado de fim de tarde, cansado de assobiar ondas e beijar areias pálidas. Seu sorriso me parece desprovido de encanto – ou talvez seja apenas eu, que não sou mais apaixonada por você. Não me leve a mal: o carinho ainda é imenso, e receber qualquer contato seu ainda me produz uma alegria involuntária, e me pego sorrindo à toa, lembrando das suas eloquentes mensagens de bom-dia quando estávamos juntos.

Quando você arregaçou a manga da sua camisa-xadrez-de-festa-junina, eu reconheci as cicatrizes do seu antebraço, aquelas nas quais me perdi tantas vezes, na luz desperdiçada da manhã. Foi neste momento que reencontrei algum traço da paixão avassaladora que me tomou há quase dois anos – “eu já estive aí”, sentenciei a mim mesma.

O tempo passa, as paixões também. Seus braços ainda procuraram os meus, buscando algum conforto. Suas mãos tentavam alcançar as minhas, como se quisessem me convidar para uma valsa que eu não queria mais dançar. Passou, como passam os pássaros buscando novos verões, como passam as estações. Passou.

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