últimos românticos

– É muito bom me sentir assim, com você. Quando tou apaixonada, sou a melhor versão de mim mesma. É quando eu me sinto “eu” de verdade.

Eu lhe disse num domingo à tarde, enquanto estava sentada no seu colo, no sofá. Lembro que estava tão feliz que quase podia flutuar – era uma felicidade que explodia aqui dentro e eu precisava verbalizar. Tínhamos passado o dia todo juntos, compartilhando afetos e cumplicidades, e eu realmente estava numa fase radiante. Foi a última vez que me apaixonei, e isso faz mais de um ano. Pouco tempo depois disso, o amor se foi e eu ainda não o reencontrei.

***

Numa tarde chuvosa e gelada de início de inverno em São Paulo, uma amiga me encaminha uma matéria dizendo que é isso aí mesmo, o romantismo acabou, bola pra frente. Enquanto em outra aba tenho email aberto de outra amiga, e lamentamos o sentimento de nulidade pós-amor pós-moderno, em como às vezes nos sentimos descartáveis, quando todos os nossos amores efêmeros e errantes são apenas essa eterna busca por um amor mais sólido e verdadeiro, sem mentiras de conquista e joguinhos traiçoeiros. Somos mulheres de 30 e poucos e nos sentimos deslocadas por ainda acreditar em amor que sacode nossas certezas – estamos na contramão do movimento e, apesar de sermos ainda muito modernas, muitas vezes queremos um amor à moda antiga, não-vivo-sem-você. Mas o tempo em que vivemos é o hoje e acreditar em romantismo é estar fora de moda. Que pena. Até onde sei, amar continua sendo a única maneira da gente sentir que pode conquistar o mundo.

“(…) E ela respondeu: e você que quer. Para onde eu vou, vai-me o coração também, que ainda não arranjei modo de o largar pelo chão. (…)
Tocou na mulher, parou o olhar no dela, que se aquietou expectante como um animal um pouco selvagem apanhado em grande surpresa, e disse-lhe: nunca queira livrar-se do coração. Siga-o.

(…) nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor. O miúdo perguntou: porque dizes isso, pai. O pescador respondeu: porque é o único modo de também tu, um dia, te sentires o dobro do que és.”
(valter hugo mãe, em “como se caísse de um candeeiro”) 

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