aos galopes

2014 foi um ano tão intenso que na noite da virada eu ainda estava ocupada, e nem consegui fazer direito meu tão querido balanço de fim de ano. Li numa previsão que “após o energético ano do cavalo, agora chega a hora do tranquilo ano do carneiro”. E achei “energético” uma definição muito precisa de um ano que passou aos galopes, sem tempo para respirar, analisar, colher.

2014 não foi um ano tão emblemático como 2013, mas foi um ano muito bom. Um ano de realizar sonhos grandes, de fazer muita coisa, conhecer muita gente. Foi um ano que começou com um arco-íris duplo e promessas de amor, mas que logo no fim de janeiro teve coração partido feio, para mostrar que olha, o ano ia ser assim: bem aos atropelos, com os acontecimentos surgindo sem pedir licença e arrancando impiedosamente quem estivesse no meio do caminho. Num ano de fortes emoções, teve 7×1 e eleições presidenciais decididas quase voto a voto. Foi um ano de fazer as pazes com o passado, e de agradecer até os percalços, que vêm para ensinar valiosas lições. De mala na mão e rodinhas nos pés, cabeça nas nuvens. De me permitir, me mimar e – algumas vezes até um pouco irresponsavelmente -, me jogar.

2014 foi um ano em que meu plano mais ambicioso era aprender a viver um dia de cada vez, e eu bem que consegui – puxando os sonhos no fio da pipa para que não voassem muito longe ao horizonte, tentando achar um equilíbrio para não me frustrar além da conta. Foi um ano de segurar a onda na ansiedade e dar tempo ao tempo para as coisas acontecerem, de tentar entender meu lugar no mundo, ser fiel a mim mesma, sempre levantar-sacudir-a-poeira-dar-a-volta-por-cima, ter orgulho da minha trajetória e finalmente chegar aos 30 sendo quem eu sempre me imaginei ser. Um ano de reconhecer que todas as dores que me trouxeram até aqui são importantes porque são minhas, e me fazem ser quem eu sou – e me aceitar. Só assim a gente consegue entregar nosso melhor pro mundo.

Uma das últimas lições que aprendi, já bem pro fim do ano, é sobre o tal do batido “o que tiver que ser, será”. Eu falo isso há muito tempo, mas tive algumas epifanias que me fizeram entender que, quando algo precisa de fato acontecer, o universo dá um jeito de fazer as engrenagens rolarem. Da “vida que é a arte dos encontros, embora haja tanto desencontro pela vida“, parece que eu finalmente entendi que, quando a gente aceita as coisas de coração aberto, elas voltam para a gente maiores, melhores e mais generosas.

Eu ainda não escrevi um livro, não plantei uma árvore, não casei nem comprei uma bicicleta (apesar de ainda querer muito um filho – ou dois, ou três ou quatro). Na verdade-verdadeira, eu ainda não descobri para qual destino apontar. Mas estou amando cada passo da jornada. 

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