demasiadamente humano

Nos meus dois últimos relacionamentos, eu fui a primeira a reconhecer minha vulnerabilidade. A me entregar, dizer que estava apaixonada e disposta a fazer dar certo. E, nos dois casos, quem estava ao meu lado disse não estar na mesma página – e escolheram partir. Por muito, muito tempo, eu me culpei por isso. Achei que não deveria ser esse trem descarrilado, que deveria levar as coisa de forma morna e amena, de pôr um pé de cada vez, olhar antes de mergulhar. E demorou muitos meses para eu entender que essa sou eu. E, não sem muita dor prévia, eu consegui me aceitar e me perdoar. E entender que eu não quero uma vida mais-ou-menos, que doar um pedaço menor de mim ao outro, além de mesquinho; não seria justo comigo mesma e com a minha essência.

***

Só hoje, numa manhã de uma sexta-feira quieta e ensolarada de outubro, eu consegui chorar tudo o que não chorei esse tempo todo por ter cobrado tanto de mim mesma por esses relacionamentos terem “falhado”. Foi assistindo a um TED sobre vulnerabilidade que eu entendi que se reconhecer vulnerável, frágil e imperfeito nada mais é, no fundo, que se reconhecer humano. Um ser vivo. Um ser, vivo.

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3 Responses to “demasiadamente humano”


  1. 1 Carolina Soares outubro 25, 2014 às 2:38 pm

    E eu sou o contrário. Talvez, em comparação, eu seja a pessoa que diz que não está na mesma página e vai embora. rs Mas isso também é mais do que não reconhecer, é negar alguma essência ali que quer, sim, ser mais vulnerável, mergulhar, se deixar levar. O tal do medo, né.. rs Sim, somos seres vivos. Vivos e imperfeitos. Sempre em busca do melhor. Que consigamos, então,encontrar nosso equilíbrio ou o que quer que seja mais vivo para nós. :)

    E sempre vou dizer: sempre bom vir aqui. Beijos.

  2. 2 Leila Ghiorzi outubro 27, 2014 às 9:54 am

    Eu amo esse vídeo e tenho vivido de forma bem diferente desde que assisti pela primeira vez (e já foram tantas as vezes que vi que já perdi a conta). Eu sempre fui a que esperava, nunca me jogava de cabeça sem saber onde vai dar. Estou fazendo o oposto agora, quem sabe dá certo… Mas, vou dizer: o medo é grande. Tomara quedê certo (pra mim e pra ti também). :)

  3. 3 Ana Carolina outubro 27, 2014 às 12:55 pm

    Me identifico tanto com o que você escreve que chego até a me assustar…

    Mas, na verdade, é muito bom saber que existem outras pessoas que sentem a vida como eu: se jogam de cabeça; dão seu melhor pro outro e esperam o melhor de tudo. Gente intensa e de coragem!

    “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é”, né?

    Obrigada pelos ótimos textos, sempre!

    Beijo,


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