memória de peixinho dourado

A cada nova pessoa que conheço, a cada novo encontro, em toda perspectiva renovada – eu sempre me arrumo como se fosse a primeira vez, escolho o vestido mais bonito, o perfume mais cheiroso, os assuntos mais interessantes na ponta da língua, meu sorriso mais charmoso. Como se nunca antes eu tivesse levado um tombo, como se nunca ninguém tivesse me machucado, como se meu coração nunca tivesse sido partido, como se aquela pessoa que prometeu realmente tivesse ligado, como se aquele grande amor de fato tivesse voltado. Porque não há saída alguma se, ao menos por um instante, pensarmos que vai ser tudo igual, a gente vai se desiludir, se machucar, alguém vai partir, alguém vai chorar; todos vão sofrer, e ninguém vai morrer.

Acreditar que vai ser diferente, a cada vez, todas as vezes, não é questão de otimismo barato – é quase questão de sobrevivência. 

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