na dissonância do outono

“(…) às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na vaidade; no álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer hora o amor acaba.”
(trecho de “o amor acaba”, de Paulo Mendes Campos, publicado na revista Manchete em 16.05.1964)

Há exatos 50 anos o amor ainda acabava da mesma maneira que acaba hoje. E a gente continua esperando, no sentido figurado e no literal, que ele recomece a qualquer hora em qualquer lugar, travestido de acaso e desassossego, para chacoalhar nossas certezas e encher de surpresa nossas vidinhas programadas.

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