um lado que pesa e um outro lado que flutua

Paris foi um relacionamento bem complicado para mim. Mas não para ele, que ficou lá dois anos e meio e era louco pela cidade. Ele chegou exatamente no dia seguinte ao que eu fui embora – isso que eu acabei partindo um dia após o programado, porque perdi o primeiro trem. E essa tal coincidência boba – da gente quase ter se esbarrado lá, do outro lado do atlântico, sem ainda nem se conhecer; a gente, que viria a viver um amor de verão mais de três anos depois deste não-encontro , isso para mim não era acaso: era destino. Esse para mim era apenas mais um dos muitos sinais que o universo tinha jogado para me mostrar que todos os errados vieram antes para que depois, já meio cansada de cuidar do jardim, ele aparecesse – ele, todo certo, todo lindo e romântico, libriano que tocava violão e sabia cálculo e falava francês, e fazia declarações de amor e entendia de fotografia e temperos exóticos, e tinha altura de príncipe europeu e uma mãe que era exemplo de mulher; ele, que era forte e sensível ao mesmo tempo, e por quem eu suspirei apaixonada achando que meu 2014 já seria todo dele, todo de amor e de planos na primeira pessoa do plural. Ele, que era mais do que sei, mais que pensei, mais que eu esperava, baby.

Mas o desenrolar da história acabou não sendo assim. Quando nos reencontramos, mais de dois meses depois, não senti estrelas no céu da boca de paixão anestesiada, nem tampouco calor na boca do estômago de raiva reprimida. Nada. E outro dia que me dei conta disso, do quanto essa mania besta de acreditar em sinais do universo ainda me atrapalha no dia a dia e me faz insistir em coisas que talvez eu não insistiria em outras circunstâncias – se eu não fizesse balé e soubesse ficar na ponta dos pés para alcançar seus 1,87m em meus abraços, se eu não teimasse sempre em ter cabeça nas nuvens e acreditar que o melhor está por vir, talvez eu não levasse tantos tombos no decorrer do caminho. Mas eu caí e ok, levantei. E é uma luta diária não achar que o universo fica a me enviar sinais o tempo todo, e tentar encontrar poesia e traduzir destino em todo canto. Ser otimista às vezes dá muito trabalho.

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2 Responses to “um lado que pesa e um outro lado que flutua”


  1. 1 Flá maio 15, 2014 às 6:27 pm

    haiuhaiuha, como você é fofa, cara…

    (e tão parecida comigo que eu fico pensando se não to sendo meio egocêntrica ao gostar de você tanto assim!)

    E o universo também vive me mandando sinais, esse safado… acho que é pra nos ensinar que tudo bem cair, o importante é aprender a levantar- e a continuar sempre levantando! Avante, bonde das otimistas! haiuahiuahiua

    Beijo grande!

  2. 2 Bianca maio 18, 2014 às 9:40 pm

    prefiro o que flutua. prefiro o que fica na ponta dos pés. eu sempre vou escolher a leveza… e a vida é isso, d-i-a-r-i-a-m-e-n-t-e, escolhas.
    beijos meus,


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