uma serenidade carregada de vazio

Segunda da semana passada, hora do almoço. Trombo com alguém com quem tinha vivido uma coisa bacana, e essa pessoa tem uma atitude que não é a ideal comigo. Acho estranho, mas não fico chateada. Não foi um problema na hora, nem depois. Não me abalou.

Domingo à noite, reencontro pela primeira vez alguém que foi importante para mim, e cujo fim do relacionamento me fez sofrer um bocado. Mas não sinto nada. Achei que fosse doer, mas não. Estava com enxaqueca, e o único pensamento que me ocorria, enquanto ele estava ao meu lado me atualizando de sua vida, era que eu queria tomar um banho e dormir. Ele, que já esteve naquele sofá outras tantas vezes, me fazendo companhia e trocando suspiros apaixonados, emoções escancaradas e declarações de amor. Ele estava lá de novo, naquele mesmo lugar. E eu estava inerte, sem sentimento algum. Quando nos levantamos, ele me abraçou. E eu, que sempre ficava na ponta dos pés para alcançar todo seu 1,87m com meus braços; desta vez fiquei parada, folha seca. Cansada.

***

Me senti muito esquisita nas duas situações. Conversando com confidente, disse que a gente sempre surta por sentir demais, coração sangrando e dramas à flor da pele. E que agora eu estava preocupada por não sentir nada, em duas situações em que geralmente meu pobre coração aflito encolheria. No que ela concluiu que eu tenho muita dificuldade em aceitar reconhecer em mim mesma reações que não são do meu padrão “normal”; que eu não consigo lidar direito quando sofro de mais ou de menos em determinadas situações. Percebi que talvez seja isso mesmo – a vida vai transformando a gente, aperta e depois afrouxa, e neste eterno processo de cair-levantar-cair-levantar, o nosso eu que a gente conhece desde sempre vai mudando também, e com ele muda a maneira como lidamos com o que nos atinge. E isso me aflige porque eu não mais me reconheço em mim mesma em diversos momentos, e como é difícil sair da nossa zona de conforto e lidar com um eu que não nos é familiar…!

Ainda estou aprendendo a reconhecer esta nova Nathalia no dia a dia. Mas devo confessar que esta parte de mim que menos se afeta com as coisas – e, portanto, menos sofre também –, é bem mais fácil de conduzir. Mesmo que, no fundo, tudo o que a gente mais queira seja rasgar o peito e morrer de amor.

Anúncios

3 Responses to “uma serenidade carregada de vazio”


  1. 1 karine godoy abril 9, 2014 às 3:42 pm

    Não sei se alguma vez te escrevi. Assino seus posts. Tenho alguns blogs no meu Favoritos. Mas o seu, fala de mim. Temos vidas muito diferentes, mas os mesmos conflitos existenciais. Às vezes me ajuda a me entender. Agradeço a você por isso. Bjim

  2. 2 Juliana Clorado abril 9, 2014 às 5:36 pm

    ai amiga, assim é realmente tão melhor…
    não se assuste não, deixe essa nova nath entrar… tudo fica mais leve
    =)


  1. 1 um lado que pesa e um outro lado que flutua | drops de anis Trackback em maio 15, 2014 às 6:09 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Blog Stats

  • 163,126 hits

%d blogueiros gostam disto: