riders on the storm

O dia 06 de outubro de 2013, há exatos seis meses, também era um domingo quente e ensolarado. Joana e eu fomos até o supermercado e compramos meia dúzia de cervejas, e ficamos sentadas no chão da sala, que ainda não tinha nenhum móvel, atualizando as novidades. Profissionais, pessoais, de habitação, conjugais. Ela foi embora e só se mudou uma semana depois. Foi minha primeira noite aqui.

Nestes seis meses, esta casa já me viu questionar o futuro um sem-número de vezes. Já me viu voltar desorientada e desanimada do trabalho, voltar feliz do trabalho. Já testemunhou muitos sonhos e alguns pesadelos. Já me viu com três amores, acalentou dois corações partidos, acompanhou dois abraços de despedida. Já me recebeu de volta depois de uma longa viagem, está me vendo planejar três novas para os próximos meses. Já me viu chorar de raiva por não conseguir realizar uma tarefa, já me viu chorar de tristeza quando me partiu o chão. Já me viu cozinhar feliz um monte de pratos temperados com muito afeto, já recebeu jantares animados para vários e jantares românticos para dois; já teve um bolo de aniversário e uma festa de ano-novo. Já testemunhou minha amizade com os garçons do bar embaixo da varanda, e já me viu descer correndo para fazer companhia a amigos que lá estavam. Já me viu varar noites acordada, por vontade ou falta de. Já me viu chegar da rua toda saltitante e com os braços cheios de ‘tesouros’ encontrados nas caçambas, depois reformados e transformados em ‘móveis’. Já viu amigas virem me socorrer quando eu precisava de consolo, para me abraçar dizendo que vai ficar tudo bem, e fazer companhia e conversar e beber e comer e ver sex and the city. Já viu eu e Joana abrindo vinho para celebrar, vinho só para tornar a faxina mais divertida, vinho para curar dor de cotovelo, vinho para nos fazer companhia. Já nos viu animadas com a decoração conjunta, decidindo aonde-vai-o-quê. Já acompanhou longas refeições temperadas com discussões infinitas sobre feminismo, gravidez, racismo, homofobia, seriados e vídeos engraçados do youtube – amo todas, na mesma proporção.

Eu me mudei da rua Antonio Fernandes de Abreu para a rua em que morou Caio Fernando Abreu – e essa brincadeira boba é uma graça que diz muito sobre mim. Esta casa, que para mim já é nem é mais nova, há seis meses me vê saindo todas as manhãs com um sorriso no rosto e o coração cheio de futuro; grata por tudo de incrível que me acontece, sempre. E nesta noite, quando mais uma vez eu tive a prova de que consigo superar qualquer dor bem machucada, eu tive a certeza de que o mais importante que esta casa já viu é meu poder de virar a página e seguir em frente, apesar de.

Casinha, obrigada por me abrigar, por ser meu lar. Hoje não é mais a minha primeira noite aqui, mas é a primeira da minha nova vida – aquela que a gente escolhe viver, a cada dia, todos os dias, ao abrir os olhos e levantar. Porque tempestade pode ter o ano inteiro, mas a gente já sabe contornar – galocha no pé e voto de fé. 



ps: este texto vai em homenagem à nata, que fez esta mudança há pouco e divide tudo com a gente no seu blog e facebook. e eu disse a ela que queria ter compartilhado mais dessa minha transição, mas foi tudo pensado por tantos anos que, quando realmente aconteceu, foi muito rápido e indolor, como arrancar um band-aid. (hoje fico triste de ter poucos registros a respeito)

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2 Responses to “riders on the storm”


  1. 1 Nana abril 7, 2014 às 12:04 pm

    seja feliz, nath. acima de tudo.

  2. 2 Juliana Clorado abril 9, 2014 às 5:33 pm

    casinha que conhecerei em breve
    =)


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