monotema

Eu vim para Londres a trabalho, e 80% do meu tempo tem sido ocupado por ele (não só trabalho em si, mas compromissos referentes a ele, mesmo fora do expediente). Porém, ontem percebi que boa parte dos outros 20% são ocupados por discussões sobre o amor, com amiga daqui e amigos que lá ficaram. Alguns amores permeiam esta minha viagem: um coração recém-partido, um relacionamento recente que voltou para se despedir porque está de partida em busca de outros horizontes, um amor platônico que ressurgiu, um amor antigo que revivi através de um filme ou uma música com que trombei num brechó, e o amor por Londres em si, que é um caso à parte. Isso sem contar os amores dos amigos próximos, que acompanho de perto e têm suas histórias próprias, também.

Me encontro meio obcecada com a ideia de como os relacionamentos se constroem e se dissolvem, em como gerenciar expectativas, em como fazer tudo fluir de forma mais fácil e leve. A gente tenta virar logo a página e pular para a história seguinte, essa ânsia de saber o que aprendeu com a última experiência, como errar menos na próxima vez, como fazer melhor. Tenho um monte de textos rascunhados a respeito e ainda não publiquei nenhum; porque não consigo elaborar ideia alguma sobre nada mais sólido. 

Ainda estou digerindo o filme que vi ontem e conta com vários desses questionamentos, e me lembrei do livro que li uns seis meses atrás e que retomei antes de vir. Acabei deixando-o em cima da cama quando parti, e me arrependo de não tê-lo trazido: ele está cheio de grifos sobre o amor líquido e volátil, a fragilidade dos laços humanos – um reflexo de tempos em que as pessoas se sentem coagidas entre apertar os laços e ao mesmo tempo mantê-los frouxos, entre mergulhar de vez numa relação e ao mesmo tempo manter sua liberdade. Não raro encontro alguém com uma ideia um tanto equivocada de que o amor idealizado pode estar tão na próxima esquina, que não há mais paciência ou vontade de construir um relacionamento de verdade aqui e agora, com suas limitações e imperfeições que o fazem ser… real. O amor contemporâneo é líquido porque muda de forma rápida, sob qualquer pressão. Parece que ninguém mais quer tentar amadurecer o que sente, ser paciente e entender o que cerca, investir para fazer funcionar. Uma pena, porque se tem algo em que vale a pena investir tempo e dedicação é em um amor bom e correspondido, verdadeiro.

Ainda não encontrei nenhuma resposta, mas estou gostando de fazer as perguntas. Tentar entender o que nos guia é apenas o primeiro passo para trilhar um novo caminho – uma hora a gente chega lá. 

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1 Response to “monotema”


  1. 1 Carolina Soares fevereiro 20, 2014 às 8:00 pm

    Como gosto de passar por aqui.. :)


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