baby it’s cold outside

Hoje faz um dia tipicamente londrino, cinza frio molhado. Encolho os ombros para fugir do vento, olho para dentro. Chove de leve. Na playlist do escritório toca Phoenix, me lembro da cena que vimos juntos numa noite fresca de dezembro, de um dos meus filmes favoritos. Semana passada fui ao show deles aqui e cantei junto a plenos pulmões, dizendo que a gente é muito jovem. Choro de leve. Eu queria você aqui. Mente inquieta, agenda cheia e coração vazio. Outro dia você apareceu no meu sonho, e nele a gente entrelaçava as mãos. E foi tão real. A sua mão, grande, segurando a minha – segurando para não deixar cair, segurando para me dar segurança. Eu me sentia segura com você ao meu lado. Sinto sua falta.

Há exatos dois meses era meu aniversário e você me entregou um cartão escrito à mão, me desejando boas surpresas. Eu não entendia como em tão pouco tempo podia caber tanto afeto num pedaço de papel tão pequeno, um origami de um começo se desdobrando para nós. Penso no que poderia ter sido e não foi – e no que foi, maior e melhor do que eu jamais imaginaria. Tento dar uma polida naquele otimismo teimoso, escuto amigos dizendo que não era para ser, aquele discurso pronto que a gente sempre tem na ponta da língua para tentar confortar os que amamos. Fico desapontada comigo mesma por ainda pensar nisso, por não conseguir virar página tão rápido quanto gostaria, por ainda deixar machucar. Por não saber sarar. No reflexo da janela, as nuvens se movem rapidamente, como num filme em que a gente aperta o botão de adiantar para chegar logo na cena do final feliz. Que, no fundo, talvez seja exatamente onde eu queria estar neste momento.

Vou pegar um café para arejar, e quando volto já tem um canto de céu azul atrás da minha mesa. Concluo que talvez vá ser assim daqui pra frente – às vezes cinza, às vezes chuva, e um raiozito de sol bem tímido a esperar a hora certa de aparecer. Talvez.

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2 Responses to “baby it’s cold outside”


  1. 1 Juliana Clorado fevereiro 13, 2014 às 9:18 am

    ah, amiga, certas coisas só com o tempo…
    =/

  2. 2 Bruna Hirano fevereiro 18, 2014 às 11:20 pm

    Poxa, que texto bonito. Olha, vão aparecer muitas nuvens ainda, muita chuva, muito cinza… mas por mais clichê que seja, o Sol sempre nasce. Sinta a saudade por inteiro, não a negue, só permita sentir. Uma hora, um dia, ela não estará mais lá e se estiver, vai ter perdido a força.

    Muito céus azuis para ti! ;*


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