Arquivo para dezembro \31\UTC 2013

o mais importante

Em 2003, eu perdi a virgindade. Em 2004, tirei a carteira de motorista e arrumei o primeiro emprego na minha área. Em 2007, me mudei sozinha para Londres, para viver meu grande sonho – foi minha primeira vez no exterior, e já fui de mala e cuia. Mas foi só em 2013 que eu me senti adulta de verdade. Estou vivendo a vida com a qual sempre sonhei; e reconheço em mim, finalmente, a mulher que sempre quis ser. Uma gratidão que quase dá para pegar com as mãos vive aqui, sem hora para sair.

Não conheço ninguém que tenha uma opinião neutra sobre este ano que se encerra. Foi um ano muito intenso para todos. Vivi muitas coisas ruins, mas estou ficando craque em aprender a lidar com o que nos chega e tirar o melhor proveito de tudo – e quanta coisa incrível!

E se a felicidade a gente acha mesmo é nas horinhas de descuido, feita das pequenas grandes alegrias cotidianas que transformam o nosso dia; então meu grande desejo para 2014 é que a gente aprenda a abrir os olhos para estes pequenos milagres. Como disse a Nata, no famoso email de fim de ano pelo qual aguardo ansiosamente todo final de dezembro, que o nosso ano novo seja assim: repleto de momentos bonitos e com aquela alegria espaçosa que inunda o peito feito espuma. Que a gente tenha sim vontade de postar muitas coisas lindas no instagram, porque a gente sabe olhar para as pequenas belezas que nos cercam, mesmo quando todo o restante ao redor parece desmoronar. “Os momentos ruins não precisam nos definir”, ela disse. Quem escolhe como vamos contar nossa história somos nós mesmo – nós temos esse poder. Um ano novo bem novo na perspectiva e cheio de pequenas belezas!

sin perder la ternura

pequenos grandes milagres

miraclesOutro dia vi um filme que falava sobre valorizar cada passo (seja erro ou acerto) que demos, porque foram eles que nos conduziram ao aqui, agora – estar onde estamos, sermos quem somos.

No primeiro dia do meu “inferno astral” este ano, algo ruim aconteceu. E Susan Miller disse que o encerramento de um ciclo importante iria mesmo acontecer naquele período, que se eu não tivesse coragem de dar um fim por conta própria, o fim se encarregaria de ser dado por outros meios (o que de fato aconteceu). Mas foi exatamente por causa deste encerramento que houve um outro nascimento, que está florescendo agora, e sendo tão, tão bom para mim.

O poster ao lado eu comprei para pendurar em casa e jamais esquecer de todos os milagres que me levaram a ser quem sou hoje, com todos os mil defeitos e qualidades que tenho, mas que aprendi a aceitar e amar. 

“Existem apenas dois jeitos de viver a vida: um é pensar que milagres não existem. E o outro é enxergar tudo como um milagre.” 
(Albert Einstein

me, myself and I

“Perguntas-me qual foi meu maior progresso? Comecei a ser amigo de mim mesmo.”
(Sêneca)

Meu ano de 2013 em apenas uma frase.

pra frente

Estava na fila do supermercado, comprando produtos de limpeza, numa quarta-feira cinza pela manhã. A outra fila pareceu ir mais rápido, então troquei. E quando um ímpeto de voltar o rosto para olhar a fila em que eu estava antes me acometeu (ver se ela estava em pior ou melhor situação), resisti e voltei o olhar para frente. Porque eu não queria me arrepender. De ter trocado de fila, de ter tido aquele impulso, de ser ansiosa e não aguentar esperar e tomar uma decisão afoita e no susto. Então me dei conta de que muito do segredo de ser feliz no dia a dia e sereno com suas escolhas é isso: não olhar para trás. Poderia ter sido melhor, mas poderia ter sido pior também. E quando decidimos por um caminho em detrimento de outro, estamos achando que este é o melhor, pelo menos naquele momento e nas tais circunstâncias que se apresentam – mesmo que depois não seja. Certa vez li que o “poderia ter sido” não existe, apenas porque não foi. Simples assim. Por mais difícil que seja às vezes – e é.

baby you’re a firework

“Nosso maior medo não é sermos inadequados. Nosso maior medo é não saber que nós somos poderosos, além do que podemos imaginar. É a nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos assusta. Nós nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, lindo, talentoso, fabuloso?”. Na verdade, quem é você para não ser? Você é um filho de Deus. Você, pensando pequeno, não ajuda o mundo. Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor. Todos nós fomos feitos para brilhar, como as crianças brilham. Nós nascemos para manifestar a glória de Deus dentro de nós. Isso não ocorre somente em alguns de nós; mas em todos. Enquanto permitimos que nossa luz brilhe, nós, inconscientemente, damos permissão a outros para fazerem o mesmo. Quando nós nos libertamos do nosso próprio medo, nossa presença automaticamente libertará outros.”
(Marianne Williamson)

Resumo do meu ano e do meu aniversário, com carinhos que falavam sobre brilho e me fizeram a estrela mais cadente da universo.

stars

deixa a vida me levar

Eu tenho um grande amigo de infância, extremamente querido, que faz aniversário dois dias antes de mim. Por diversas razões, são raras as vezes em que consigo falar com ele no dia 10 de dezembro. Mas ele sempre me liga no dia 12. Sempre. 

Ontem eu pensei nele o dia todo, mas não tinha mais seu número depois que roubaram meu celular, e ele é um ermitão que não tem conta de facebook, não usa email nem nada dessas tecnologias modernas. Pois bem. Esta noite dormi na casa dos meus pais para levar meu irmão ao médico às 7h. E depois de um esquecimento que me fez atrasar quase meia hora para pegar o metrô, e esperar mais de 20min pelo trem, e ir amassada feito sardinha em lata na linha vermelha amaldiçoando a tudo e a todos (e respirando fundo pensando “é só hoje, ommm, é só hoje, ommm”); alguém atrás de mim se vira e fala: “Nathalia?”. Era ele. E fomos juntos o resto do caminho, e eu só conseguia pensar que, depois de tantos desencontros, ele entrou ali, no mesmo trem, na mesma porta em que eu estava, num trajeto que eu não fazia há uns dois meses, ainda mais neste horário. Ele estava lá e minha quarta-feira atrapalhada e garoenta ficou mais feliz; e nos abraçamos e colocamos a conversa em dia, e eu passei o resto da manhã divagando sobre como a vida pode ser linda e mágica. Cheguei em casa cantarolando, toda periquita, distribuindo sorrisos aleatórios na rua. “Tenho achado viver tão bonito”.

***

Sempre gostei de planejar as coisas, me preparar, cuidar com carinho, “o rito necessário do encontro“. Mas uma das frases mais célebres da minha mãe é “a gente faz um plano, Deus faz outro“. Não sei se exatamente esse deus que creditam, mas bem entendo sobre planejar mil coisas e ver, na vida real, outros planos tomando seu lugar, cheios de surpresas inesperadas, reviravoltas e caprichos do destino. 2012 foi o ano pelo qual esperei minha vida toda e para o qual mais havia tecido sonhos mirabolantes. E foi o ano que mais me decepcionou nos últimos tempos. Mas, depois que ele acabou, eu me senti finalmente livre para poder parar de planejar tudo – o que eu tinha à minha frente era uma folha em branco para 2013, pronta para ser rabiscada com infinitas surpresas espetaculares. E foi aí que tudo começou a acontecer. Eu não planejei nada pro aniversário do Fabio porque não tinha meios de contatá-lo, e minha única ação ontem foi pensar nele e mandar boas energias. Então ele se materializou para mim (por mais metafísico e esotérico que isso possa soar, mas foi verdade).

Eu amo dezembro, de aniversários queridos, natal, ano novo, sentimento de missão cumprida. Sempre faço montes de planos. Mas este ano estou gostando de saborear as surpresas conforme elas se apresentam para mim – assim, despretensiosas e coloridas. Meu aniversário já é amanhã, o último na casa dos 20, e eu queria preparar muitas coisas, mas não o fiz – por preguiça, cansaço, economia. Faltam 20 dias para o reveillon e ainda nem sei onde estarei, com quem. Pode ser que seja incrível, pode ser que seja chato, pode ser divertido. Tudo que sei é que estou no escuro, e gostando de não ter expectativas a serem cumpridas. Tão bom, poder se surpreender. 

A única iniciativa que tive até agora foi encomendar um bolo de brigadeiro, hoje de manhã, para assoprar 29 velinhas faiscantes e dividir com quem decidir passar para me dar um abraço. Mas nem isso considero um grande plano – porque né, convenhamos que um bolo de brigadeiro não precisa de um grande motivo para acontecer. Basta querer ser feliz.

vida generosa

vejo flores em mim

florido


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