Arquivo de agosto \01\UTC 2013

tango de inverno

Eu estou perto de fazer trinta anos. Ainda falta um ano e pouco mais de quatro meses, mas sempre achei uma data muita simbólica para não perceber quão perto ela está. Eu não queria pensar em idade, na minha e na dos outros, de quem me cerca e de quem eu queria que me cercasse. Idade é uma bobagem, mas é uma bobagem que está tão perto, tão na próxima esquina, que eu quase posso pegar com as mãos. Eu tomei uma grande decisão semana passada, e estou no meio de um movimento importante agora. Eu faço contas, projeções, borrões. Penso no aluguel, no plano de saúde, no vestido longo para buscar na costureira. No amor que não dei. Numa rotina maluca de julho, num agosto primaveril com sorriso de monalisa que se debruça na minha janela. E em como a gente não sabe de nada, nada, nada. Num mesmo dia, trombo em três pessoas conhecidas em momentos e lugares aleatórios, e ainda são apenas seis da tarde. Como foi na terça numa gravação em Cotia, ou na quinta passada, quando ganhei um sorriso e um beijo inesperado na bochecha, numa festa. Corei. Preciso responder um email com minhas expectativas e plano de carreira que vislumbro daqui pra frente, pediram. O problema é que eu não consigo enxergar ao longe, nunca consegui. Sempre acho que a vida pode mudar a qualquer instante, a todo instante. Se fosse possível, responderia com um pôr-do-sol, penso. Recolho as roupas jogadas no chão, guardo o chapéu, testo a máquina fotográfica nova, leio jornais passados. Me lembro do amor que não me deram. E retraio a memória que a gente nunca sabe como editar, feito filhote assustado que saiu de casa na hora errada. Sou um pouco surda, um pouco míope, um pouco manca. Muito incapaz para tantas coisas. Mas ainda assim tento colher o que me cabe. A gosto, agosto.


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