Arquivo para maio \24\UTC 2013

de amor y de casualidad

Quando eu era criança, achava o máximo ver meu pai chegar em casa dizendo, “você não sabe quem eu encontrei no metrô!”. Eu queria ser assim quando me tornasse “gente grande”: no meio daquele caldeirão de gente, com milhões de pessoas mergulhadas em seu microcosmo, trombar com um rosto conhecido. Um sentimento de pertencimento, de ser parte daquele universo. Que surpresa boa…!

***

Muito tempo se passou, mas continuo achando mágico tropeçar em conhecidos em situações inesperadas. Num café no posto de gasolina às nove da manhã de uma sexta-feira tumultuada, numa reunião de trabalho, numa rua movimentada. No metrô. Que mundo bonito.

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nada se pierde, todo se transforma

Então às vezes você encontra algo por que procurou por muito tempo, bem no momento em que já aprendeu a procurar outras coisas – e se sente completamente confortável no papel dessa nova busca. A cabeça dá um nó – os eternos desencontros da vida de que o poetinha tanto falava, sempre nos ensinando lições sobre o tempo correto de cada coisa. Muito engraçado, esse destino.

saída de emergência

Dia desses me dei conta de que sempre tenho um plano B na manga, para tudo. Um outro programa caso o dentista desmarque a consulta, um outro amigo para sair caso alguém me dê bolo, até uma muda de roupa de emergência caso a que eu esteja vestindo me traia em algum momento. Acho que as rasteiras que tomei na vida me deixaram de tal modo desconfiada que eu não deposito mais 100% da minha confiança em ninguém. Sempre tenho uma saída de emergência para quando as coisas não saem conforme o planejado, nem que seja um filme na tevê que eu queria ver. Acho triste não conseguir mais confiar assim, de olhos fechados. Sempre um pé lá, outro cá. Pronta para partir antes de ser partida, estar sempre precavida. Onde não encontro surpresas, também não encontro suspiros. Queria ser pega desprevenida, pelo menos uma vez – ficar sem fôlego pode ser bom.

me and you and everyone we know

Outro dia estava andando na rua e vi alguém perto de mim que se parecia muito com um bom amigo que tive no colégio, mas que não vejo há quase dez anos. Eu, em toda minha insegurança e miopia, não consegui confirmar se minha suposição estava correta. E fiquei pensando, “se era ele mesmo, será que me reconheceu?”. A Nathalia que sou hoje não é a mesma de antes, fisica ou tampouco psicologicamente. A Nathalia da última vez que vi esse amigo, por exemplo, era uma Nathalia com um coração recém-partido, bem mais magra, de cabelos curtinhos pela primeira vez na vida. Já quem conheceu a Nathalia alguns anos depois disso, em 2008, digamos; viu uma Nathalia apaixonada, de cabelos mais compridos, segura e de bem com a vida. Nestes cinco anos decorridos teve outra Nathalia de coração partido e muito machucada e assustada, fechada pro mundo; e outra mais confiante, cínica e desbocada, tentando ser mais livre e mais leve (a de hoje). Quem acaba de me conhecer vê uma Nathalia sem a franja que carreguei por mais de uma década, de cabelos longos e bagunçados, na cor natural. Uma Nathalia que faz ballet e yoga, que trabalha com pesquisa de tendências de consumo, que procura imprimir seu estilo na hora de se vestir, que faz farra com as amigas, passa noites fora de casa, não quer se comprometer e não se leva tão a sério. Se este amigo me visse hoje, me reconheceria? Pois eu mesma não me reconheço mais em muitos aspectos – o que não é ruim.

E também há as versões diferentes de uma mesma pessoa no momento presente, que se mostram de acordo com a situação. E isso também sempre me fascina. Sou apaixonada pelas pessoas, por tudo de individual e coletivo que são e que decidem apresentar aos outros. Amo trabalhar com gente e, apesar de às vezes não me reconhecer em mim mesma numa foto de 1999, consigo me encontrar em traços de personalidade de cada um que cruza meu caminho, como se fosse um espelho. E, cada vez mais, fico feliz com o que vejo. Acho que chamam maturidade. Eu chamo viver em paz com quem a gente é – e com tudo que a gente ainda quer (e tem potencial para) ser.   

não deixe o sol te pegar chorando

Então que o fim de semana mais esperado dos últimos tempos concretizou todas as expectativas (e mais!) e me transportou para uma outra dimensão, em que vivo há cerca de 20 dias. De repente, tudo o que sempre quis que acontecesse na minha vida adulta começa a acontecer, aos poucos ou aos atropelos, e tenho uma sensação no peito muito boa, de finalmente vivenciar o que me é de direito. Uma paz grande comigo mesma, de me cobrar menos, me respeitar mais, me divertir e viver a vida mais leve; um equilíbrio buscado há tanto tempo, e que demorou tanto para ser alcançado. Mas acho que é isso, os melhores prêmios são aqueles que envolvem sangue, suor e lágrimas; algo que vivi bastante (com intervalos) nos últimos quatro anos. Muitas coisas têm chegado até mim sem ao menos eu procurá-las – e dizem que é isso né, a gente joga energia pro universo e ela retorna de alguma forma. Sei que o outono, minha estação favorita e mil vezes repetida, tem sido extremamente generoso; de temperatura amena, energia boa no ar, mil novidades aterrissando e canções para embalar um dia do bem. Quem se atreve a ser infeliz quando o sol diz que já é maio florido e apaixonado? Que venham os tão esperados casamentos queridos e feriado compartilhado! O céu tem estado azul todos os dias. E isso não é pouca coisa. 


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