parábola de hoje

Moramos há treze anos na mesma casa, e há todo esse tempo eu realizo o mesmo trajeto para ir até o metrô. Até que, há alguns meses, me deu a louca e resolvi experimentar rotas diferentes, assim do nada. E é como se um mundo de novas descobertas se descortinasse diante de meus olhos, recheado de possibilidades diárias. Uma ruazinha de diferente a cada dia – novos tipos de calçada e paralelepípedo, novos portões, novas pessoas saindo de casa pela manhã, novos cheiros no ar, um jeito diferente de refletir a luz, uma pracinha de surpresa ao virar uma esquina, uma janela com cortininha feita a mão (e um bolo imaginário sendo assado na cozinha), um animalzinho de estimação fazendo preguiça no quintal.

Porém, ainda me aborrece que as opções, ainda que numerosas, sejam limitadas. Tenho uma grande capacidade de enjoar de coisas que não sejam carregadas de um romantismo pré-fabricado (ao qual me apego mais do que deveria). E fico inventando essas histórias para colorir uma rotina cheia de prazos, pressões e pragmatismos. Mas até usar tanto lápis de cor às vezes cansa. E percebo que fica cada vez mais difícil me apegar antes de cansar.

***

Incrível como isso se aplica em tantas situações da minha vida.

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