um despertador, um cobertor, um grande amor

Semana passada reencontrei uma amiga que não via há tempos. Como sempre nas nossas ótimas conversas, estávamos falando sobre expectativas para o futuro, planos, pretendentes e afins. E ela me disse que, numa de suas crises caso-ou-compro-uma-bicicleta, sua professora de yoga a mandou olhar para dentro e respirar fundo – que ela era uma mulher moderna, e que não era dela se casar cedo e ter filhos. Que era melhor ela deixar as coisas acontecerem do jeito que se apresentavam a ela, sem angústias. Ela disse que isso tirou um peso enorme de suas costas, e que desde então ela tem se comportado diferente no mundo – que também tem lhe respondido de outra forma, muito mais serena e cheia de leveza.

Fiquei pensando muito tempo nisso, depois. A tal lei da atração diz que o que a gente pede pro universo, ele entrega. “Então por que não é todo mundo estupidamente feliz?”, muitos perguntam. Dizem que é porque a maioria de nós não sabe definir exatamente o que quer – e eu me incluo neste grupo, sem dúvida.

Desde adolescente, sempre tive muito definido o que queria para a minha vida. Mas o tempo foi passando e os sonhos, mudando. Me apaixonei, e troquei a vontade de viajar o mundo sozinha e conhecer muita gente por um casamento num domingo pela manhã, um casal de filhos e um volvo na garagem. E estava feliz com isso. Nunca soube ao certo até que ponto esses sonhos eram meus ou nossos, mas vai ver que eram meus mesmo, e estavam guardados no fundo de um canto no meu infinito particular, esperando a hora de desabrochar. Não sei. O que sei é que nos últimos anos tenho enfrentado uma batalha interna muito dura para descobrir de fato quem sou, para onde vou, o que quero daqui em diante. E se comparar com as pessoas ao redor é a maior bobagem e fonte de sofrimento, da qual pouco consigo fugir, e que me enche a cabeça de minhocas – ver outras pessoas aparentemente tão bem resolvidas e felizes em suas escolhas me traz um monte de perguntas idiotas e sem resposta, “deveria eu estar assim? fazendo isso? teria eu esse sorriso no rosto agora?”

Desde que minha amiga argentina me trouxe um pote de doce de leite e me apresentou um mundo sem neuras, há uma semana, o que não sai da minha cabeça é este exercício de sentar, respirar e olhar: aonde você quer chegar? E como fazer para alcançar?

“Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.”
(Carl Jung)

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3 Responses to “um despertador, um cobertor, um grande amor”


  1. 1 nana março 14, 2013 às 9:14 am

    a primeira coisa que pensei quando li foi “obrigada”.

  2. 2 Juliana Clorado março 18, 2013 às 2:54 pm

    bem… de tanto pensar eu já nem sei mais responder o que eu quero…
    juro… e não se iluda viu nath, nem todos que parecem ser/estar bem resolvidos, realmente estão ou são
    =)


  1. 1 pastel de palmito, p’ra viagem | drops de anis Trackback em março 15, 2013 às 4:01 pm

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