Arquivo de janeiro \04\UTC 2013

há tanta vida lá fora

“Se quiséssemos apenas ser felizes, seria fácil. Mas queremos ser mais felizes que os outros, o que quase sempre é difícil, já que pensamos que eles são mais felizes do que realmente são”
(Montesquieu)

Algo que tomou muito dos meus pensamentos no último ano foi o quanto nos projetamos na vida alheia, o quanto achamos que somos os únicos com problemas no mundo e o quanto isso rouba nossa energia. Exatamente o tema da última revista TPM – que me deixou reconfortada de saber que não sou a única a enfrentar este tipo de frustração (e daonde veio a citação acima, também).
Com exceção de alguns poucos blogs pessoais que acompanho, onde os autores de fato expõem suas fragilidades, o que mais se vê nas redes sociais são pessoas bem amadas, bem sucedidas, lindas, viajadas e felizes. Ninguém parece se dar conta de todo o trabalho e esforço requeridos para atingir um enquadramento perfeito, e a vida exposta nestas tais redes nada mais é do que isso: um recorte.
Eu mesma faço um mea culpa: em 2012 enfrentei uma depressão, uma demissão, distúrbios alimentares e a perda de uma pessoa muito próxima. Algumas decepções, coração partido, sonhos não realizados, joelho ralado. Perdi algumas amizades porque a distância se instalou, e eu cansei de ser a única a insistir (era para ser uma via de mão dupla). Desisti.
Alguns destes “poréns” eu dividi por aqui. Mas quem me acompanha no Facebook, por exemplo, só viu tudo de incrível que me aconteceu (já que 2012 teve muita coisa boa também, ainda bem): as viagens, novos amigos, projetos decolando, pequenas belezas.
Por isso, um dos meus objetivos para 2013 é me desligar o máximo possível deste mundo plástico, fabricado e editado que as pessoas querem mostrar; me aproximar de quem vale a pena e apenas aceitar o que essas pessoas, que realmente importam para mim, quiserem compartilhar. Sem comparações e sem achar que a vida perfeita está dobrando a esquina, tão perto e tão longe. Porque vida real é a que se faz nos momentos ruins também, que vêm não somente para aprendermos uma lição, mas também a apreciar mais os momentos bons que chegam logo em seguida. Porque gente de verdade é feliz apesar de. E não apenas nas fotos filtradas do Instagram.

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