tema do dia

Semana passada, em dois dias percebi que havia um “tema” comum que ligava alguns dos assuntos que vivia naquela momento. Como seriado de tevê, que escolhe um tema e permeia todo o episódio com isso, sabem? Na terça-feira foi decadência: fui encontrar meus amigos da terceira idade para almoçar. Todos tiveram carreiras muito bem-sucedidas em suas áreas, já passam dos 80 e continuam lúcidos e falantes, uma lição de vida. Um deles, engenheiro respeitado, professor de universidade renomada e com uma neta da minha idade (e com o mesmo nome!) adora fazer mágicas. Mas ele falhou em duas das três vezes que tentou fazer comigo, como se algo estivesse fora de conexão. Ele disse que talvez eu não tenha dado as coordenadas direito, o que pode ter acontecido também. Mas o mal entendido me causou mal estar. À noite, no mesmo dia, fomos assistir ao jogo de despedida do Marcos. Em campo estavam todos os maiores jogadores do final dos anos 90/início dos anos 2000. E todos, antes craques, estavam pesados, lentos, fora de forma. O tempo, sempre ele, fazendo-nos lembrar que nada é eterno, que todos temos nossos momentos de ascensão e queda, quando o corpo já não responde mais aos estímulos como antes, quando a gente tenta correr atrás das nossas sombras, antes ágeis e capazes.

Na quinta-feira, o tema do dia foi “acerto de contas com o passado“. Abordaram isso na última edição do programa “Saia Justa”, sobre o falado fim do mundo e o que seria interessante fazermos até lá: pedir perdão, perdoar, desapegar, deixar passar. Ao final do dia, reprise de “Alta Fidelidade” na tevê a cabo, e eu pela enésima vez acompanhando a história do homem que vai atrás de seus relacionamentos passados para entender por onde os caminhos o levaram, o que ele deveria mudar (ou se deveria mudar algo) para que o futuro seja diferente.

Dizem que o universo vive a nos passar mensagens subliminares nas entrelinhas de todos os acontecimentos ao nosso redor – basta termos as antenas ligadas e a sensibilidade aguçada para perceber. E agora, acompanhando a partida de um ente querido no hospital e esperando o tal “final do mundo”, percebo que é época de grandes reflexões, reavaliações e fazer as pazes com nossa história, aceitando o que está por vir de coração livre e braços abertos. Um exercício que traz lições para toda a vida. 

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2 Responses to “tema do dia”


  1. 1 Ca dezembro 19, 2012 às 8:53 pm

    Naty querida …amo seus textos!!!
    E sempre me identifico!!!bjk

  2. 2 Fabiana Souza dezembro 20, 2012 às 4:43 am

    que lindo Nath. O final desse post me lembrou nossa conversa por telefone na semana passada. Tempos de reflexões. Como são doloridas e confusas, mas como são necessárias e pedagógicas, não? Beijos


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