Arquivo de novembro \05\UTC 2012

esse mar no olhar

Um sumiço generalizado de quase toda vida social não é descaso, mas sim um respiro providencial para colocar as coisas em ordem. 2012 tem sido um ano difícil, de muita luta e murro em ponta de faca, de suor e obstáculos. Todos os meus movimentos parecem vir carregados de um peso que antes não tinham. Toda decisão tem uma gravidade, algum motivo obscuro disfarçado de passado, presente e futuro – uma escolha feita por quem sou hoje, regida pela pessoa que foi construída de todos os erros e acertos de ontem, esperando encontrar um outro eu melhor amanhã.

(Num mundo tão atropelado, que recebo mensagens com ‘n, tudo?’; ao invés de um saudoso e caloroso, ‘hey nath, tá tudo bem?’. Não há tempo para pormenores e gentilezas pequenas, para letras extras quando a mensagem está ali, subentendida – um agora tão saturado de mensagens ditas ‘subentendidas’, mas em que ninguém de fato se entende.)

Chegam as chuvas tristes de novembro, um mês dominado por feriados e sombras das promessas que fizemos e não cumprimos, dos desejos de ano-novo comprimidos numa listinha já amarelada e pouco riscada. Ficam as expectativas das festas de fim de ano, do réveillon, do verão tropical; de uma vida toda que está sempre adiada para a próxima festividade, a comemoração seguinte, o calendário novo. Um aniversário pelo qual ansiei a vida toda, justo num ano em que quero dormir em novembro e acordar depois do carnaval. 2012, eu tinha tantas expectativas para você… que tombo.


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