Arquivo para outubro \16\UTC 2012

bandeira branca amor, não posso mais

Nos últimos tempos, tenho sido acometida por lembranças de momentos que eu não sei se de fato vivi ou apenas sonhei. Elas vêm de um canto meio nebuloso do meu cérebro, onde também se encontram os fatos que meus amigos viveram e me contaram (e dos quais eu lembro apenas de uma ou outra vaga informação; e tenho vergonha de perguntar maiores detalhes, com receio de que meus lapsos soem como um descaso em relação às suas experiências).

É como se, a todo instante, minha memória estivesse hasteando uma bandeira branca, pedindo uma trégua, implorando para se desfazer de um monte de coisas que não fazem mais sentido, que ocupam um espaço desnecessário numa mente que já mostra sinais de cansaço e não quer mais reter tanta informação assim. Mas eu queria poder acionar um botão de “delete” para escolher quais lembranças ficam e quais vão, numa memória seletiva voluntária; que me seria muito mais útil que um punhado de histórias picotadas que eu tenho encontrado vagando no meu cérebro ultimamente. Pelo menos teria a sensação de ter algum controle, ainda que remoto – ao invés de me sentir essa marionete gastando fosfato para entender daonde vem tanto artefato.

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e aos 29 com o retorno de saturno

Minha ansiedade maluca me fez nascer treze dias antes do previsto, além de me trazer outras crises de angústia de “meu tempo é amanhã”, muito mais diárias e persistentes. O retorno de saturno é outra crise braba que vem perto dos 30 anos – e, para variar, a minha acho que veio antes da hora. Não queria abandonar o blog, deixar páginas em branco e dezenas de comentários atrasados e sem resposta. Mas este ano está sendo muito intenso nos aprofundamentos de alma, e tem sido um momento muito delicado e íntimo. Tenho passado muito tempo só comigo mesma, lendo, estudando, reavaliando. Meu trabalho é conversar com pessoas; então, quando posso, estou só, em silêncio. E muda, sem nada de muito relevante para comentar ou escrever. A ausência de som pode trazer muitas respostas e reflexões, basta querer escutar, de verdade e sem ruído. De ouvidos e braços bem abertos e atentos para abraçar uma nova jornada.

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