Arquivo para agosto \24\UTC 2012

e vem chegando a primavera

Sábado, 20 de abril 

Estarei ressequido? Sentimentalmente, digo.

(…)

Segunda, 29 de abril 

(…) De repente, fez-se a luz em meu próprio cérebro: então, não estou ressequido! (…) eu ainda desfrutava egoisticamente da minha recente descoberta. Não estou ressequido, não estou ressequido. Então olhei-a com gratidão”

 

(trecho de “A Trégua”, de Mario Benedetti – sugestão de uma leitora querida)

 

tudo bem, tudo zen, meu bem

E numa tarde caliente de sábado no fim de inverno tropical, eu fui feliz dançando músicas brasileiras pelas ruas de uma paulicéia bem da desvairada, em boa companhia e descompromissada. A gente sempre acha que vai encontrar uma nesga de felicidade no fundo de um poço metafísico em que mil fatores isolados entrem em comunhão intergaláctica, como ter um bom amor, segurança financeira, saúde em dia e um teto sobre a cabeça. Mas tem felicidade em abrir o coração e dançar sem expectativas, em olhar ao redor e respirar o presente, aceitar de peito aberto o que a vida traz. Prestar atenção aos encontros inesperados que trombam meu caminho, e enxergar em cada jardim e canto de muro descascado uma beleza própria e singular. Estou me livrando, aos poucos, das amarras das expectativas arraigadas, dos planos que não vingaram, dos sonhos que não se concretizaram. E me concentro no que tenho p’ra hoje – e que não é pouco. Tenho achado viver tão bonito.

remind yourself to be yourself

Anna: Mas agora estou sempre em um apartamento novo ou em um hotel qualquer em algum lugar.
Oliver: Como você mantém os velhos amigos? Ou namorados?
Anna: Se torna fácil terminar sozinha. Deixar as pessoas.
Oliver: Você pode estar sempre no mesmo lugar e ainda assim encontrar maneiras de deixar as pessoas. 

(trecho de “Beginners“)

oliver

Tenho pensado muito nisso, nas pessoas que abandonei porque tive que mudar e nas que abandono todos os dias mesmo sem ter saído do lugar. Em quantas portas a gente fecha, por medo, preguiça ou descaso, como dizia essa frase que usei de título e que me foi um soco no estômago da primeira vez que vi. E como dói quando olhamos para trás e vemos muros ao invés de pontes.

O filme, um livro e uma conversa querida e inesperada no meio da semana abriram meus olhos para muita poeira que havia no batente. Estou limpando os cantos para encher a casa de ar novo, os pulmões de respiro e a vida de leveza.

(Já estamos no dia 10 e só hoje me dei conta de que não li meu horóscopo mensal. Acho que estou a esperar grandes surpresas. Chega de tentar entender e significar – basta sentir. Basta, sentir.)


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