Arquivo para julho \31\UTC 2012

o maior segredo é não haver mistério algum

Estou lendo um livro em que o narrador enxerga que só reencontrou o grande amor da sua vida porque um dia resolveu colocar um prato de leite para um gato vira-lata que bateu à sua porta. Já eu, que tenho essa mania besta de enxergar sinais e propósitos até nas coisas mais banais que me acontecem, estou é tentando pensar no modo contrário.

Uma mente moldada na literatura e no romance há de achar poesia até nos acasos mais prosaicos da vida. Porém, ao tentar enxergar esse tal destino que me cabe neste latifúndio, tudo o que consegui foi um colo cheio de interrogações e zero suspiros; o que tem me deixado muito mais triste do que esperançosa nos últimos tempos. Talvez não haja mesmo sentido em nada e o mundo gire de forma aleatória, sem uma grande razão de ser. Vai saber.

Anúncios

o mundo todo abarco e nada aperto

Mil influências distintas reverberando aqui dentro. Minas, Bahia, novos amigos, viagens, inspirações, respirações, brilho no olho. Tantas lições a se aprender numa vida tão curta. Numa hora acho mil anos mas em mil anos não acho uma hora, como Camões. Livros devorados e outros tantos empoeirando num canto, esperando uma horinha de sossego. Segundo semestre chegou ocupando todos os espaços e eu cá, incapaz de qualquer coisa apertar. Mesmo tendo um mundo todo entre os braços. Apesar de.

fix you

“Tudo tem um propósito. Até as máquinas. Os relógios dizem as horas. Os trens levam a lugares. Servem a seus propósitos. Por isso máquinas quebradas me deixam triste. Não servem a seus propósitos. Talvez seja assim com as pessoas. Perder o nosso propósito é como estar quebrado”
(trecho de “A invenção de Hugo Cabret”)

Esta parte do filme me tocou muito: no dia a dia frenético em que vivemos, é comum fazer tudo no piloto automático, sem nem pensar nas razões e motivos que nos levaram a exercer este papel, a buscar este caminho. Mas é só dar um passo para trás e ganhar perspectiva que a gente consegue enxergar muito bem quando está quebrado, precisando de atenção e conserto.

O coração a que me referi aqui não foi o tal metafórico do amor romântico, mas sim um coração para simbolizar um encontro comigo mesma que acontece exatamente quando me distancio da minha rotina tumultuada. Estou de férias, e na primeira parte das minhas viagens, fui a Minas Gerais com uns amigos. Experimentei sabores, texturas, sentimentos e aventuras. O medo que senti com o novo foi bom, de frio na barriga de se reconhecer testando outros limites e encontros. Voltei cheias de inspirações, e com um amor renovado por mim mesma, generoso e compreensivo, como há muito eu não sentia. Sábado embarco para a segunda parte e estou cheia de expectativas. Pode vir, coração: a casa está aberta.

no meio do caminho

… havia um coração.

Nada como sair de férias para dar um respiro e (re)encontrar novos rumos.

 

 


Blog Stats

  • 164,562 hits