à deriva

Alterno momentos exultantes de graça, gratidão e euforia com outros de profunda melancolia – e uma culpa voraz por me enxergar tão pobre de espírito perto das verdadeiras mazelas do mundo. Reencontros (ainda que virtuais) com pessoas que passaram por minha vida me fazem questionar muitos dos rumos que escolhi ou foram escolhidos por mim. “O passado não sabe seu lugar, ele está sempre presente”, já suspirava Mário Quintana. A verdade é que “o encontro com nosso verdadeiro eu”, como li outro dia no jornal, é o encontro mais difícil de todos. É um encontro com ares de embate pouco romântico, parece mais um confronto: encarar nossas fraquezas e limitações, inquietudes e forças oblíquas ainda pouco exploradas. 

Outro dia me dei conta de que há muito tempo eu sonhava que 2012 seria o ano decisivo da minha vida, por inúmeras razões. E hoje eu já não sei mais de nada. Trabalho com afinco e paixão shakesperiana, mas quando dou um passo para trás para ganhar perspectiva, olho o panorama geral em que me encontro e tudo o que pareço enxergar é um arranjo de inércias aleatórias, de ações que foram se desenvolvendo como que por si só, e eu só “fui com a maré”, deixando a vida me levar, com um papel mais de espectador que de ator.

Creio que, de alguma forma, eu esperava mais do que minha vida seria quando eu chegasse neste “aqui agora”, aos 27, em 2012. Esta atual crise, talvez o tal “retorno de saturno“, é um conflito que não me deixa – uma batalha de leões que me atormenta dia e noite, e se descamba em certos descontroles, muita insegurança e pouco amor por mim mesma. Ando insuportável, e tem sido difícil me aguentar 24 horas por dia (eu que o diga). Mas há de passar, como essas tais chuvas inesperadas de fim de outono. Se dizem que “o que não mata, fortalece”, então que o furacão sirva pelo menos para isso: menos morte e mais força.

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3 Responses to “à deriva”


  1. 1 Ju junho 9, 2012 às 10:59 am

    Leio seu blog há um tempo e acho que nunca comentei. Mas o texto de hoje foi “tão meu” que resolvi comentar. Nada profundo ou que vá te ajudar – é verdade. Mas só para dizer que amo os seus posts! Beijinhos e bom fim de semana!!!

  2. 2 Clara junho 10, 2012 às 10:52 am

    Eu também me sinto assim, sempre olho a minha vida e me pergunto qual foi o momento em que eu tomei a decisão que fez com que tu-do saísse do planejado.

    Mas fazer planos é uma piada pro destino, né? *suspiro*

    Bjos!

  3. 3 Ju junho 11, 2012 às 1:13 pm

    ai amiga, eu tenho desses conflitos quase todo dia, nunca é como eu esperava, o “agora”, e acho que nunca será, ao menos pra mim que mudo muito de idéia e ideais, enfim, mas ao invés de projetar o que virá, olhe pra trás e vc vai ver quanta coisa boa te fez chegar até o “agora”, e assim vai…
    =)


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