já aprendi a dizer adeus

Um dos meus trabalhos é conhecer pessoas, ajudá-las em sua vinda à cidade e levá-las para passear em SP, essa paulicéia desvairada mas bastante amigável quando quer. E aí que, apesar do tempo curto de convivência (apenas algumas horas ou um dia todo, na maioria das vezes), eu acabo me tornando amiga dessas pessoas mesmo, de falar mil coisas, trocar confidências, sonhos, frustrações e expectativas. Muitas vezes elas contam para mim segredos que mais ninguém sabe (genes da mamãe psicóloga mandam lembranças). E no fim do dia… temos que nos despedir. Abraços apertados, agradecimentos mútuos e promessas de nos encontrarmos aqui, ali, acolá. Para elas me mostrarem suas cidades também, retribuírem a hospitalidade e tal.

Acontece que, apesar de quase sempre me apaixonar por quem entra no meu caminho e abre sua existência para que minha alma curiosa possa xeretar vidas alheias; eu sei que as chances de reencontrar essa pessoa são quase nulas. Em três anos já aconteceu algumas vezes, mas é raro… Então aprendi a desenvolver um escudo do desapego que tem funcionado muito bem para isso e para outras situações da minha vida em que tenho que dizer adeus mesmo quando não queria*, tipo superpoder de mulher maravilha. Sinto que aquela garota imatura está cada vez mais distante; e mais próxima da Nathalia que sou hoje está uma jovem mulher imensamente feliz e realizada por poder deixar uma impressão, por menor que seja, na vida de tanta gente. E poder trazer cada vez mais bagagem comigo também. Minha colcha de retalhos é feita de rostos, origens, sorrisos, aprendizados e boas histórias. Estamos crescendo.


*troquei de aparelho celular dia desses e só transferi os números que ainda fazem sentido na minha vida hoje. foi duro (sempre é), mas não tanto quanto achei que seria. foi mais um exercício simbólico de edição, de saber limar tudo que, apesar de ter tido sua importância no passado, como o próprio tempo verbal diz, já passou. cabe a nós apenas enxergar – e saber deixar partir, se despedir.

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5 Responses to “já aprendi a dizer adeus”


  1. 1 saoestesosdias maio 7, 2012 às 6:02 pm

    Um dos exercícios mais importantes que podemos fazer é limpar caixas de mesnsagens, números que não fazem mais sentido, e-mails descontextualizados… até pessoas no facebook e afins. E não acho que seja simbólico não. É pragmático e eficaz ;)

    Bjooo

  2. 3 Lissa maio 9, 2012 às 10:32 pm

    ah, e preciso dizer que eu amo “não aprendi dizer adeus mas tenho que aceitar que amores vem e vão, são aves de verão…”

    :x

    sou brega? ;)

  3. 4 Ju maio 10, 2012 às 2:02 pm

    ai amiga, deixar partir… taí uma coisa q só depende mesmo da gente
    =)

  4. 5 Scheyla maio 12, 2012 às 4:54 pm

    Adorei esse trechinho aqui: “Minha colcha de retalhos é feita de rostos, origens, sorrisos, aprendizados e boas histórias.” Acho que vou por no meu face hehehe
    Faz um tempinho (acho que uns 2 ou 3 anos) que eu estou nessa fase de dizer adeus, desapegar, de tudo o que não me acrescenta mais algo de bom na vida, desde pessoas, sentimentos, até coisas mais simples, como roupas não usadas, revistas da época de adolescente..algumas coisas são mais simples, outras é com uma dor grande no coração, mas é preciso… e é tão gostoso depois aquela sensação de libertação, de deixar espaços vazios para que o novo possa entrar na vida…
    bjus


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