Arquivo para maio \31\UTC 2012

quando me vi tendo de viver comigo apenas e com o mundo

Em menos de uma semana, fiquei sabendo de dois casais amigos que se separaram. Ambos tinham um longo e sólido relacionamento; e a decisão não partiu de quem é meu amigo, mas da outra parte. Tomo as dores e fico profundamente chateada – meu coração-último-romântico ainda reluta em aceitar a finitude de amores que foram feitos para durar para sempre. Fico triste, sempre.

Enquanto isso, do lado de cá, me vejo fazendo mil contas e economias para realizar um sonho terreno. E, quando me cai a ficha de que o sonho é só meu – e por ele luto sozinha –, me bate certa melancolia. Gostaria de ter alguém com quem dividir tudo isso, compartilhar planos, agregar referências, somar afetos. Mas quando vejo relacionamentos desmoronando ao meu redor, entendo que ter alguém ao lado também não é garantia de nada e que, no fundo, a gente sempre está só, embora certas vezes (bem) acompanhada.

 

(Esta não é uma constatação pessimista, apenas lúcida. Reconhecer-se só no mundo evita maiores frustrações do que buscar a tal “metade da laranja”. Já somos todos inteiros.)

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coração valente

“(…) Isso de olhar pra dentro, de entender o que é importante pra gente, não tem como levar pra outra direção que não seja o acerto: as únicas expectativas que a gente consegue controlar são as nossas próprias, e quando essas tão supridas então tá tudo bem, tudo ótimo.(…)”
(via Oficina de Estilo)

Montes de coisas bacanas têm acontecido na minha vida profissional, e me sinto imensamente abençoada de poder fazer o que amo, da maneira que quero e como acredito. Escolhi ser feliz ao invés de ter razão, e como cantou Raul no documentário que vi outro dia, estou no lado oposto ao de quem se esforça para ser um sujeito normaallll e fazer tudo iguaaallll (apesar de também estar bem longe de ser “maluco beleza”, vou controlando a minha maluquez, misturada com boas doses de lucidez).

Em muitos momentos eu dou um passo para trás e olho tudo ao redor, me sentindo muito sortuda de poder aderir à “filosofia Devagar” na maior parte do tempo, e ter autonomia para fazer as coisas do meu jeito – poder correr no parque e ir ao cinema com meu irmão numa terça-feira à tarde, subverter a comemoração de dia das mães com um café da manhã inusitado porque tinha que trabalhar o restante do dia, ir ao museu e ver dois filmes seguidos no cinema num dia de folga no meio da semana, jantar de despedida rapidinho com amigas queridas, com o que deu para encaixar de tempo na agenda maluca das três.

Dizem que felicidade não é não ter problemas, e sim saber olhar para eles com outra perspectiva – sempre buscando o lado positivo, de aprendizado e superação. E olhar com gratidão para o que se tem. Tamos no caminho.

levante, sacode a poeira e dá a volta por cima

Quando eu tinha sete anos, fui atropelada por um caminhão, enquanto cruzava a rua com a minha avó. Levei pontos na cabeça e perdi toda a pele do pé esquerdo, que ficou preso embaixo da roda traseira. Tive que reaprender a caminhar depois de meses imobilizada, parei com as aulas de balé. Tinha medo de colocar os pés no chão.

Incrível como essa habilidade de voltar a andar depois de um grande tombo me é tão útil até hoje.

 

“Ando bem, mas um pouco aos trancos. Como costumo dizer, um dia de salto sete, outro de sandália havaiana. (…) E fé em Deus.”
(Caio F.)

hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos

É muito esquisito viver em compasso de espera de um grande acontecimento que não vinga. Minha vida está ótima – família linda e conectada, trabalhos legais fluindo, vida social agitada, saúde em dia. Ainda assim, a gente sempre parece ansiar por aquilo que falta, pela ausência que atormenta. Como se eu vivesse sempre a prender a respiração para olhar ao redor, sorrindo com uma expiração presa na garganta, pronta para aliviar. Quanta energia desperdiçada – que angústia meudeus, que angústia.

já aprendi a dizer adeus

Um dos meus trabalhos é conhecer pessoas, ajudá-las em sua vinda à cidade e levá-las para passear em SP, essa paulicéia desvairada mas bastante amigável quando quer. E aí que, apesar do tempo curto de convivência (apenas algumas horas ou um dia todo, na maioria das vezes), eu acabo me tornando amiga dessas pessoas mesmo, de falar mil coisas, trocar confidências, sonhos, frustrações e expectativas. Muitas vezes elas contam para mim segredos que mais ninguém sabe (genes da mamãe psicóloga mandam lembranças). E no fim do dia… temos que nos despedir. Abraços apertados, agradecimentos mútuos e promessas de nos encontrarmos aqui, ali, acolá. Para elas me mostrarem suas cidades também, retribuírem a hospitalidade e tal.

Acontece que, apesar de quase sempre me apaixonar por quem entra no meu caminho e abre sua existência para que minha alma curiosa possa xeretar vidas alheias; eu sei que as chances de reencontrar essa pessoa são quase nulas. Em três anos já aconteceu algumas vezes, mas é raro… Então aprendi a desenvolver um escudo do desapego que tem funcionado muito bem para isso e para outras situações da minha vida em que tenho que dizer adeus mesmo quando não queria*, tipo superpoder de mulher maravilha. Sinto que aquela garota imatura está cada vez mais distante; e mais próxima da Nathalia que sou hoje está uma jovem mulher imensamente feliz e realizada por poder deixar uma impressão, por menor que seja, na vida de tanta gente. E poder trazer cada vez mais bagagem comigo também. Minha colcha de retalhos é feita de rostos, origens, sorrisos, aprendizados e boas histórias. Estamos crescendo.


*troquei de aparelho celular dia desses e só transferi os números que ainda fazem sentido na minha vida hoje. foi duro (sempre é), mas não tanto quanto achei que seria. foi mais um exercício simbólico de edição, de saber limar tudo que, apesar de ter tido sua importância no passado, como o próprio tempo verbal diz, já passou. cabe a nós apenas enxergar – e saber deixar partir, se despedir.

um pouco mais de paciência

Meu suspiro favorito e mais recorrente vem acompanhado de um singelo “paciência”. Para qualquer reclamação vindoura de qualquer parte (“mas fulano não vai ficar chateado?”, “e se você tiver de gastar mais para fazer isso?”, “o bolo pode queimar porque você demorou para descer”, “desse jeito vamos chegar atrasados” e resmungos do tipo); para tudo-tudo eu inspiro fundo e expiro “paciência”. Mais do que um lamento sobre algo que foge ao meu alcance e não pode mais ser mudado, é um pedido para que o mundo ao redor espere e não se desespere ou se descabele. Paciência com as impaciências do mundo, com as imperfeições, os imprevistos e as inquietações. Paciência para enxergar, tentar entender, aceitar e, quando for preciso, arregaçar as mangas e mudar. Sem descontrole, neste mundo já tão descontrolado em que vivemos. Mais amor, por favor.

there is a light that never goes out

“Vá caminhando na jornada natural, encontrando cada vez mais partes de si mesmo e sempre se preparando para os próximos desafios. Junte isso à satisfação de estar vivo e manifestar seus medos e desejos em meio a tudo que se manifesta no decorrer desta vida.”
(horóscopo da semana, assustadoramente certeiro e inspirador)

Muitas vezes eu chorei, me frustrei, quis largar tudo, jogar a toalha. E nem é da “vida toda” que eu to falando, mas dos últimos meses mesmo. De me sentir perdida e sem rumo, desamparada.

Mas então alguns insights, um pouco de fé, sorte e perseverança, e tudo muda. Um dia extremamente abençoado em vários sentidos, de alegria espaçosa e espontânea tomando conta do peito. De histórias inspiradas e inspiradoras, de futuro bonito sorrindo ali adiante.

E termina com previsões lúcidas e coerentes trazendo ainda mais luz pra nossa jornada, tipo estrela-guia. Deixa iluminar.


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