acabaram com a magia do acaso

Outro dia li uma nota em uma revista de bordo que me deixou um pouco chocada: uma companhia aérea criou uma rede social onde você pode disponibilizar seu perfil para outros passageiros do mesmo voo, assim como olhar o deles e escolher sentar perto da pessoa com quem tem mais afinidade. Ideia muito linda na teoria, mas quedê romantismo?

Call me antiquada, mas sou daquelas que sempre escolhe assento com o maior cuidado, como se daquela mínima escolha dependesse encontrar o futuro grande amor da minha vida. Mas não sou tão controladora quanto parece: como feliz portadora da famosa síndrome-do-último-romântico, também adoro surpresas do destino, como inocentes paqueras que começam exatamente por não haver assento a escolher previamente e a gente poder fazê-lo na hora, o que já me rendeu flertes que escolheram a minha companhia no charmoso eurostar Paris-Londres, no prosaico São Paulo-Alphaville 12 e um pedido de casamento no noturno 243.

Um dos meus últimos pseudo-romances começou com mesmo assento numa ponte aérea São Paulo/Rio de Janeiro para um tumultuado carnaval, bem enredo de comédia romântica hollywoodiana: mesmo lugar para sentar, mesmo mês de aniversário, mesma profissão, muita conversa para um chá de cadeira de mais de duas horas no voo. E agora as companhias aéreas me dizem que querem burocratizar até isso na minha vida: minha chance de escolher companheiro de viagem baseado em possíveis afinidades. Oi?! Justo eu, que também adoro (às vezes até prefiro) conversar com gente bem diferente de mim? Que acredito que um novo amor pode estar na fila do pão, na sala de espera do ortopedista, no elevador de condomínio? Que em pleno 2012 continuo refratária a “procurar parceiro(?!) na internet”?

Por favor, companhias aéreas amadas e queridas, tão prezadas em minhas aventuras: vão cuidar de não deixar o avião cair, de não extraviar a minha mala e de servir um lanchinho de bordo decente. E deixem que meu destino se encarregue de quem vai me fazer companhia no assento ao lado. 

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6 Responses to “acabaram com a magia do acaso”


  1. 4 Laylah Raeder março 28, 2012 às 10:41 am

    Ahhhh, Nath, adoro você! hahahahhahahahaha
    E que timing você tem, hein? Justo hoje fui ler seu post quando ontem mesmo eu estava assistindo um filme que tem a ver com acaso mas também com fazer as coisas acontecerem e justo hoje, quando eu resolvi finalmente começar a reler aquele livro “O Dia do Curinga” e paro bem na parte que o garoto pergunta ao pai se ele acredita em acaso quando vejo que há um post novo.
    Será destino?
    Não sei se acredito em acaso, acho que acontece sim, mas também acho que a gente tem forte influência sobre isso, né? Nossas decisões se casando com as decisões de outras pessoas e, não sei, Deus colocando os outros no nosso caminho bem na hora que precisamos mais. Ok, sei que não tem muito a ver com sua indignação com as companhias aéreas e certas besteiras que esse povo inventa, mas… voltando ao assunto, encontrar pessoas maravilhosas sem querer, isso é tão lindo e perfeito de acontecer… e é ao acaso. A sensação é sempre muito melhor do que tentar se sentar ao lado de alguém que aparentemente interesse. Já pensou o que isso vai virar? Poxa, é ridículo. Os homens são muito egoístas, sempre buscam o bem próprio e só querem saber do que os satisfaz, sem realmente abrir os olhos pro mundo ao redor. Então eu fico me perguntando… você iria querer sentar ao lado de alguém que acha que existe interesse por você? Eu já vivi tantos acasos, em especial com uma pessoa, que eu não mudaria em nada nossos encontros e desencontros. Eu fico me perguntando se a vida me reserva mais encontros e desencontros com ela ou outras pessoas e fico tentando imaginar como seria… a gente fica esperando sempre a mágica acontecer… como disse o chapeleiro maluco “todos esperam uma solução mágica para os seus problemas, mas se recusam a acreditar em magia”. Apesar de eu ser muitas vezes realista, convenhamos… acabar com a magia de conhecer alguém assim, sem querer, coisa que a gente sempre faz e nem percebe, que graça teria?
    Eu sei que parece que estou escrevendo uma tese só pra concordar com o que você disse e praticamente repetir isso, mas acho que prefiro não apagar.
    Você não fica sonhando em [re]encontrar alguém por acaso? Seria terrível acabar com as possibilidades. Eu quero isso. E sei que muitas pessoas também querem. Bom, talvez elas não sejam tantas assim… será que há uma maneira de não acabar com a pouca magia da nossa vida, senhoras companhias aéreas? Agradecemos sempre. E mais ainda se, como você mesma disse, Nath, cuidarem de não extraviar nossa bagagem, garantir um lanchinho decente e tentar manter os voos no horário.

    Ps.: nossa, você viveu uns acasos tão legais! Nem dá pra imaginar teus flertes e suas histórias. Gostei…!

    • 5 nath março 28, 2012 às 10:54 am

      adorei a sua “tese”, principalmente a frase do chapeleiro maluco, fantástica!! e é por tudo isso mesmo que você disse que eu ainda resisto em utilizar esse tipo de ferramenta. acho sim a internet maravilhosa, e já conheci pessoas incríveis através dela – muitos grandes amigos até hoje, aliás. mas o acaso também me trouxe presentes tão bons…!
      um dos últimos é um senhor publicitário de 83 anos, meu mais novo amigo e xodó, que vai ganhar post em breve :)

      sim, eu gosto de acaso e soluções mágicas; mas, diferentemente dos outros, acredito em magia ;)
      um beijo!

  2. 6 Laylah Raeder março 30, 2012 às 11:58 pm

    Que jamais acabe a magia do acaso nos ônibus! hahahahahahaha pelo menos lá! ;D


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