free falling

Além de conhecer novas culturas, ver coisas diferentes e experimentar sabores, cheiros e texturas; uma coisa que sempre me fascinou em viagens era poder ser uma nova persona completamente distinta de quem sou no meu dia a dia. Pessoas que nunca me viram antes não sabem do meu passado, sonhos, sucessos e fracassos; então a chance de adotar outra personalidade, ainda que por alguns poucos dias, sempre me pareceu fascinante. Tem até um episódio de “Mad about you” só sobre isso, em que o Paul e a Jamie se divertem assumindo novas profissões e histórias de vida durante umas férias, mas para eles as coisas saem um pouquinho do controle (senão não seria uma sitcom né?).

E toda essa historinha introdutória é para ilustrar que passei um fim de semana em Porto Alegre com meu irmão, para o casamento de uns amigos dele. Lá, onde ninguém além dele me conhecia, eu pude brincar de ser outra eu. Vesti as roupas mais bonitas, segui à risca o conselho das amigas de não me levar tão a sério e foi um dos melhores finais de semana dos últimos tempos. Pude experienciar ser mais divertida e desencanada, dançar-até-o-mundo-acabar, pular pular pular. Curtir sem preconceitos ou cansaço, beber drinques coloridos sem limite, conhecer gente nova, ser cortejada. Viver minha história de filme francês e escolher ir totalmente contra as expectativas, seguindo apenas o instinto que bateu na hora, sem me preocupar se haveria amanhã – afinal, eu bem sabia que não haveria, estava só de passagem. E foi tão libertador!

Sei que, por ter sido apenas uma viagem de poucos dias, toda a experiência estava contaminada por esse senso de urgência, essa aura de fantasia de nouvelle vague. E também tenho consciência de que barreiras e limites morais me impediriam de viver assim todos os dias, que foi só uma brincadeira inocente. Mas desde que voltei, tudo o que penso é em aplicar essas lições em doses mais diárias e menos esporádicas; sem depender de passagem aérea para assumir uma postura mais leve e despreocupada em relação à vida. Já é um começo.

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8 Responses to “free falling”


  1. 1 Laylah Raeder março 22, 2012 às 11:47 pm

    acho que é mais que um começo, Nath ;)

  2. 3 Jaque março 23, 2012 às 11:08 pm

    Puxa, vivi algo muito parecido nas últimas férias… E sim, é um ótimo começo (tomara que pra mim também)! =)

  3. 5 Ana Paula março 24, 2012 às 1:53 am

    Belo começo!!
    Foi tão bom participar um pouquinho.
    :*

  4. 7 Nina Vieira março 24, 2012 às 10:34 am

    A versatilidade é uma arte para poucas. Não considero fingimento. Penso mais que é o melhor de nós.
    Abraços.


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