insistir ou desistir, eis a questão?

Minha mãe comprou um armário médio para o consultório há uns três anos, numa dessas lojas grandes de móveis e utilidades domésticas. E desde que ela comprou ele vivia dando problemas nas portas, desmontando etc. Eu mesma ajudei a desmontá-lo inteiro e remontá-lo do zero junto com meu pai, alguns meses atrás. Aí ela resolveu trocar de armário, comprou outro e trouxe o tal peso morto pra casa, crente de que poderia usá-lo na lavanderia.

Ontem acordei com ela me dizendo que eles não conseguiram montar o quebra-cabeça, me pedindo ajuda. E lá fui. Não tinha mais manual, montava de um jeito, de outro. Meia hora, uma hora, nada. Não era possível!! Já chorava de nervoso, me perguntando por que raios ela insistia nesse maldito desse móvel, que trazia mais problema que solução. Veio meu pai, meu irmão. Quando ela lembrou que tinha colocado uns pinos errados, tentamos de novo. Deu certo por alguns instantes, até o levantarmos na posição correta e ele se desmanchar de novo – assim como nossas esperanças remotas de fazer aquilo funcionar.

– Não é possível que um móvel vai dar um baile na gente, eu não admito!!

– Deixa isso pra lá, joga fora, a gente compra outro – nós três suplicávamos, em vão, para que ela abandonasse aquela ideia teimosa de que ele ainda poderia servir para qualquer coisa que não nos dar um ataque de nervos.

– Mas eu paguei muito caro por ele!
(e notem que minha mãe é a pessoa menos materialista que conheço, era só orgulho ferido mesmo)

***

E foi nessa luta que passamos mais um tempo, até ela jogar a toalha e desistir. E eu fiquei o resto do domingo pensando em como a gente é assim em tantas situações na vida. A gente passa muito tempo insistindo em algo que, para quem está de fora, não faz o menor sentido, é só desperdício de tempo e energia. E a gente se convencendo de que investiu muito naquilo, de que ainda vale a pena lutar, quando todos ao redor já perceberam que a batalha foi perdida, que é melhor doar as peças partidas para o moço que recolhe madeira e vai fazer bom proveito delas. Entregar nossos pedaços desiludidos para alguém que enxergue potencial, quando a gente só enxerga cansaço. Certa vez li que, em muitos casos, desistir é muito mais corajoso que continuar, o tal “saber a hora de parar”. Difícil né?

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4 Responses to “insistir ou desistir, eis a questão?”


  1. 1 Flá janeiro 16, 2012 às 8:41 pm

    MUITO difícil… e a esperança de que você vai descobrir comofas e reconstruir o que parece tão quebrado?

    Ah,dona esperança que demora tanto pra morrer…

  2. 2 Lissa janeiro 17, 2012 às 11:45 am

    “…em muitos casos, desistir é muito mais corajoso que continuar, o tal “saber a hora de parar”.”

    gostei disso, flor! e super concordo!

    saudade enorme :*

    p.s.: seu blog continua lindo! a tal da continuidade que eu não consigo ter com as coisas… :x

  3. 3 Ju janeiro 17, 2012 às 1:17 pm

    nossa amiga, muuuuuuuuuuuuuuito dificil
    =)

  4. 4 manoela fevereiro 1, 2012 às 3:23 pm

    é por isso que eu adoro esse texto aqui: http://estrelademaio.blogspot.com/2011/07/o-amor-bom-e-facinho.html

    saber a hora de parar é para os grandes!


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