take a walk on the wild side

“O domínio do possível é estendido quando não se tem medo que a luz se acenda.”
(no texto “Soberanias”, de Márcia Áran, que tem essa frase extraída de uma novela de Boris Vian, em que ele narra a experimentação coletiva de uma cidade que foi tomada por uma neblina, e os habitantes têm de reaprender a viver na nebulosidade – e, graças a isso, se dão mais liberdade para extravasar vergonhas e medos, e tentar novos caminhos. Tipo “Ensaio sobre a cegueira”, do Saramago)

Fiquei pensando muito nisso, em como estender o meu tal “domínio do possível”, frear medos e me permitir novas descobertas. E isso é tão, mas tão difícil. E olha que tenho uma psicóloga em casa full time, sempre tentando me jogar pra vida. Cheguei em uma idade de tantos questionamentos… de rever antigos valores e morais, me perguntar por quê eles se instalaram, se ainda têm sua utilidade na minha vida atualmente, ou se só são apegos bobos que estão me impedindo de dar um passo adiante, seguir além, para o alto e avante.

Lembro que, quando fazia terapia, tinha certas coisas que eu falava à minha terapeuta que não queria fazer porque eu “me sentia violentada”. Ela dizia que era uma grande besteira minha, que daqui a um tempo eu iria olhar pra trás e me arrepender de ter envelhecido antes da hora, de não ter tentado. Tão triste, se arrepender de não ter feito. Taí amargura que não quero carregar comigo. Mas também tão difícil quebrar nossos próprios tabus e limites, se forçar a derrubar certos muros e superar atrasos de vida.

Dizem que a gente pode passar a vida toda fazendo análise e não terá tido autoconhecimento suficiente para dominar um monte de coisas que nos cercam. Mas um dia a gente chega lá. Com fé, que não costuma falhar.

***

(Estou indo viajar amanhã cedo, passar quase dez dias fora com a minha mãe e meu irmão, e pretendo ter como única preocupação saber se a temperatura da água está boa para um mergulho – no sentido literal e no figurado. O conselho que minhas amigas me dão? “Não se leve tão a sério”. Parece que tudo comigo é sempre mais careta e correto do que com os outros, sempre um peso nos ombros, uma gravidade. Talvez seja mesmo o momento de sair um pouco da caixa e respirar novos acontecimentos) 

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17 Responses to “take a walk on the wild side”


  1. 1 nana novembro 10, 2011 às 4:18 pm

    não se cobra. se quiser, mergulha fundo. se não quiser, molha só a ponta do pé. o importante é sempre ter certeza de que você está agindo como você quer, não importa muito se acharem besteira.

    vá, e volta que estaremos aqui esperando!!!
    bjos

    • 2 nath novembro 21, 2011 às 9:39 am

      pois é gata, acho que o mais importante é se sentir confortável ocm o que escolhemos né?
      mas também acho válido experimentar novos caminhos ;)
      beijocas!

  2. 3 Larissa L. novembro 10, 2011 às 7:22 pm

    tb sinto o mesmo…
    hj por exemplo fiquei um tempão tentando decidir se saía ou não de uma aula que a professor ainda não tinha feito chamada (e nem sabia se ia fazer) e fui chamada de caxias….!
    limites um pouco estúpidos, às vezes…!
    beijoss

    • 4 nath novembro 21, 2011 às 9:40 am

      haha
      fica tranquila que também sou assim, acho que faria o mesmo!
      não sei até que ponto é bom ou ruim, mas acho que com o tempo vamos aprendendo a questionar um pouco nossos limites né?
      (assim espero!)
      beijão,

  3. 5 Debora novembro 10, 2011 às 9:40 pm

    Nath, escuta gravity do john mayer…. Combina com o texto… Boa viagem

  4. 7 Ca novembro 10, 2011 às 10:15 pm

    aproveite muito !!!!

  5. 8 Ca novembro 10, 2011 às 10:15 pm

    Aproveite bastante !!!

  6. 10 Laylah novembro 11, 2011 às 12:39 am

    Nath, é engraçado como seu texto é completamente oportuno na minha situação. Porque fala não só de “arriscar é viver” e que a gente precisa ter uma boa opinião sobre as coisas e ainda assim questioná-la pra ver se é isso mesmo que a gente quer pra gente.
    Tudo bem, eu estou no meio de outra coisa agora, que tem tudo e não tem nada a ver comigo. Tem tudo porque diz respeito à mim também. E não tem nada porque não fala sobre meu interior, como parece ser seu caso, mas mais sobre o exterior, sobre o lugar em que eu vivo, o que eu quero do futuro desse lugar e o que eu posso fazer a respeito.
    Então eu estou aqui e não vou negar. Porque eu pensei e repensei e discuti e percebi que não posso ter medo. Não posso ter medo de mostrar quem eu sou (é, eu firmei minhas raízes na semana passada e defini claramente aquilo em que eu acredito, aquilo que eu sou, solucionei meus questionamentos do momento) e não posso ter medo de lutar pelo que eu quero, não posso ter medo do que vão dizer lá fora, do que vão falar de mim ou de quem está comigo. Porque eu sei que não sou aquilo lá e que minha causa é muito além de uma simples decisão errônea tomada por um líder em algum momento. Ela atinge a sociedade como um todo. E eu quero fazer parte disso para garantir que as pessoas que vierem depois de mim, tenham um Brasil melhor, um São Paulo melhor (estado), uma universidade melhor.

    • 11 nath novembro 21, 2011 às 9:47 am

      oi querida, obrigada pela reflexões :*
      não vou dizer que não tenho medo (todo mundo tem né?), mas acho que o importante é reconhecer que ele existe – só isso já faz com que eprca grande parte de sua força.
      e, depois de reconhecido isso, fazer o que está ao nosso alcance para que ele não nos impeça de ir além – porque quando a gente consegue superar o medo, o que vem depois é uma satisfação muito grande e o reconhecimento de que somos capazes de superar nossos próprios limites.
      boa sorte :)
      um grande beijo,

  7. 12 Amiga novembro 11, 2011 às 7:43 am

    Nath, eu tento me silenciar diante dos seus textos, mas impossível não comentar. Ontem tava conversando com uma amiga sobre exatamente isso o que você sente…algo do tipo ” não faço porque aprendi a me respeitar” e nem é nada muito sério, é só uma concepção minha. No que ela me respondeu: “Linda, os tempos são outros, as coisas mudaram, você precisa se atualizar…blá, blá, blá…” Cara, nem é questão de se cobrar ou não, mas cheguei a um nível de que sigo minha diretriz, o que acredito, o que acho certo, respeito as diferenças alheias, mas não aceito que nada e ninguém venha me ditar atitudes e crenças, mesmo que seja visto como “certo ou antiquado” pela sociedade. Vai ver, por isso tenho dificuldade em seguir qq tipo de religião…Faço o que quero, quando quero, não é ser radical, tem a ver com auto conhecimento e é tão reconfortante, tão libertador, para mim isso é liberdade! Mesmo que amanhã, eu mude de idéia e o que eu julgava inaceitável, mude sobre determinada situação. Acho que o importante é agir conforme você quer, claro, avaliando toda as circuntâncias, mas se esse seu “freio” está te agoniando é pq de repente você não está agindo conforme realmente quer. Pensa nisso querida, o importante é ser feliz , avida é uma só! Beijão, bom final de semana!

    • 13 nath novembro 21, 2011 às 9:52 am

      amiga sagita, sempre com bons insights!
      então, você acabou de dizer algo em que acredito muito, que é: não há grandes arrependimentos quando a gente faz algo em que acredita. mesmo que depois não dê certo (nossa decisão não renda os frutos que esperávamos), ainda assim resta a consciência tranquila de termos feito algo que, pelo menos naquele momento, parecia o mais adequado e estava de acordo com nossos valores e ideias né?
      mas agora fiquei pensando muito nisso que você disse de que, se está me angustiando é porque talvez não faça mais sentido mesmo na minha vida hoje.
      obrigada :*
      e pode comentar sempre que sentir vontade!
      um grande beijo,

  8. 14 Ju novembro 16, 2011 às 10:40 am

    eu podia dizer várias coisas, mas pro momento: boa viagem basta
    =)


  1. 1 abismos e pontes « drops de anis Trackback em novembro 21, 2011 às 9:56 am
  2. 2 feliz como leila diniz « drops de anis Trackback em novembro 25, 2011 às 2:02 pm

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