garota-enxaqueca

Estou no cartório para reconhecer a firma em alguns documentos. Constato que perdi minha carteira de motorista no caminho até lá. Toda a venda do carro, que se encontra em meu nome por razões que não convém explicar agora, poderá ser cancelada por causa disso (a habilitação era o único documento original que eu ainda possuía, já que meu RG se fué há alguns anos no buraco negro do meu quarto e eu ainda não me mobilizei para tirar outro porque né – tinha a carteira de motorista).

Minha mãe: “Mas pensa que poderia ser pior: e se eu não tivesse essa procuração em seu nome?”

Meu pai: “Acho que não era mesmo para você ficar com essa carteira.”

(porque eu achei que tinha perdido-a há um tempo; mas tinha esquecido na bolsa de uma amiga, depois de uma festa, e levei mais de dois meses para buscá-la de volta, há uns dez dias)

***

Será que alguém pode me ajudar na revolta de que:

1. se eu tivesse esperado mais uns dias para pegar a carteira na casa da minha amiga, eu não a teria perdido agora?

2. se eu não tivesse lembrado no meio do caminho que precisava dela para ir ao cartório e tivesse usado somente a procuração in the first place, eu não a teria perdido agora?

3. se eu tivesse colocado-a em um lugar propício e não dentro do envelope aberto que eu tinha nas mãos, eu não a teria perdido agora?

***

Semana passada um amigo me falou que “there’s no ‘if’ in life. What you see is what you get. ‘If’ only brings suffering.”

E eu sei que ele está coberto de razão e lucidez, que “se” só traz sofrimento, mimimi. Mas é muito frustrante estar cercada de pessoas otimistas naqueles dias em que tudo o que você mais quer é amaldiçoar o mundo.

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1 Response to “garota-enxaqueca”


  1. 1 Adri outubro 29, 2011 às 6:56 pm

    Nati, lembra de mim, uma de tuas leitoras mais antigas? Falamos algumas vezes por email há alguns meses… Fazia um tempo que não passava por aqui, pq mesmo tendo o reader acabava deixando pra ler teus posts com mais tempo, com mais calma, pq te ler na correria não tem graça, não parece certo.

    Voltei aqui hoje, ao blog “de carne e osso”, não pelo reader, e nossa, como me identifico com tantas das coisas que tu diz… Aquele post ali embaixo, “relaxa, baby”, podia ter sido escrito por mim, de tantas vezes que já pensei nisso, no que eu diria hoje à Adriana de 15 anos e o que a Adriana de 35 diria para aquela que sou hoje. Várias vezes até enlouqueço um pouquinho pensando nisso, tentando antecipar as coisas, pq a vida teria sido tão mais fácil aos 15/16 anos se soubéssemos o que sabemos hoje, né? Sobre o mundo, sobre a gente.. Claro que o erro tbm tem graça e é o ele que nos faz crescer, mas acho que é inevitável não pensar que preferiria errar menos daqui em diante… queria saber mais já agora pra acertar mais; pq errar é bonito depois, olhando já de uma certa distância, mas na hora tudo que a gente quer é acertar, é fazer dar certo, é já ter a segurança que só o tempo (e os erros) vão trazendo… Enfim, pura contradição, ehehe.

    Passarei mais seguido por aqui, juro! Me faz tão bem!!

    bjs!


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