casa pré-fabricada

Eu me apaixonei algumas vezes este ano. E, em todas as vezes, a paixonite não foi pra frente por razões alheias à minha vontade.

E eu sei que a gente é como o tal peixinho dourado*, logo se esquece da dor e está lá, firme e forte, se apaixonando de novo, desejando até-que-a-morte-nos-separe-amém. Porque sempre parece que vai ser tão diferente né? Que a gente vai acertar em outras coisas, cometer erros novos e ser mais feliz que na última tentativa.

Mas cada vez mais eu percebo que, ao ver mais uma casinha de areia que construí com todo carinho e cuidado ruir diante de meus olhos, ela leva também consigo um pedaço de mim. E é triste reconhecer que muitas Nathalias já foram deixadas para trás nesse processo, e muitas outras ainda serão. A cada coração partido me vejo mais cínica e cética – e mais distante da única Nathalia em que me reconheço 100%: aquela apaixonada e sonhadora, idealista. Que não tem medo de errar e mergulhar, de amar e demonstrar, de se machucar cair levantar.

Me questiono quantos “certo alguém” ainda vão cruzar o meu caminho até que, enfim, eu pare de construir castelos de areia – e tenha um reduto firme e seguro que maré nenhuma vai se atrever a derrubar.

*”A memória de um peixinho dourado só dura três segundos. Então, depois de uma volta pelo aquário, tudo é novidade. Cada vez que dois peixinhos se vêem, é como se fosse a primeira vez. É como nós humanos. Cada nova paixão é como se fosse a primeira. Uma reação química apaga a lembrança da última dor de amor, e nós pensamos ‘Puxa, isso é maravilhoso, isso é novo, é diferente!’. Como uma mulher que esquece a dor do parto (após contemplar o filho recém-nascido).”
(do filme “Goldfish memory”; tinha postado no antigo “drops de anis”, há uns cinco anos)

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15 Responses to “casa pré-fabricada”


  1. 1 Lubi outubro 25, 2011 às 8:08 pm

    nath querida, eu tenho me feito as mesmas perguntas.

  2. 3 Laylah outubro 26, 2011 às 11:56 am

    Minha memória é fraca, mas não como a de um peixinho dourado. Ainda não apagou. E quando eu leio você e percebo que eu tenho pensado nas mesmas coisas especialmente nos últimos tempos, percebo que não estou sozinha, mas ao mesmo tempo sei que isso não é bom; tem alguém igual a mim, mas não está sorrindo como deveria estar. Não que isso afete sua vida inteira, mas em alguns momentos você sente falta de um amor de verdade, aquele felizes-para-sempre que parece não existir, mas você continua a procurar. Até porque se não existe, o que seus pais e avós viveram até agora? Enquanto eu tento descobrir em que momento da minha vida eu fui me deixando pra trás e me pergunto se essa de hoje sou eu ainda (tão diferente de antes que eu não sei se mudei ou se me perdi), também procuro ao redor onde se encontra aquele que vai ajudar a construir minha fortaleza, mesmo só vendo pessoas versadas em construir castelos de areia. Será que eu preciso de um binóculo para procurar mais além? Dizem que as pessoas que a gente mais procura estão bem ao nosso lado… Será que eu sou exigente demais? Tudo bem, eu sou mesmo, é verdade. Apaixonar-se? Como eu disse, minha memória é fraca, mas não é como a de um peixinho dourado e ainda não apagou. Deve ser por isso que eu ‘venho vindo’ sem me apaixonar de novo. Aquela vozinha na minha cabeça que lembra “viu, da última vez… o que você está procurando é diferente… você não quer isso…” e no frigir dos ovos (é, to usando essa agora), sei que o que eu busco é realmente diferente do que tenho encontrado, mas não sei se eu estou sendo crítica, cética e chata demais comigo e com o mundo, irrealista demais, procurando uma coisa que nunca vou encontrar (assim parece) ou se eu deixei de amar. Ah, espera! Eu não estou procurando por nada. Como é mesmo Sabrina? A lua é que está tentando me alcançar? Bem lembrado. Então eu não sei mais amar ou o quê?

    Por que “casa pré-fabricada”, Nath?

    • 4 nath outubro 26, 2011 às 9:29 pm

      também sinto que o que eu busco é realmente diferente do que tenho encontrado… e não sei se sou muito exigente, mas às vezes sinto que mereço mais sabe? e que isso talvez faça com que eu acabe sozinha…
      mas enfim, desistir não é opção né?
      vamo que vamo :**

      ps: casa pré-fabricada é para dar a ideia de algo mais sólido, em oposição ao castelo de areia sabe? e também é título de uma música linda dos los hermanos que eu amo <3

  3. 5 Laylah outubro 26, 2011 às 12:04 pm

    Nossa, eu faço um texto em cima do seu texto. Vou criar um blog “comentários dos drops”. hahahahaha brincadeira. Até parece! Mas é engraçado, não sei. Quando eu releio, eu pareço perdida pra mim mesma. É, a coisa tá feia. Vou lá ler aquele texto do homem do séc XXI…

  4. 7 Laylah outubro 26, 2011 às 3:00 pm

    Acho que depois disso, Nath, eu chamo a ‘princesa Mia’ e faço das palavras dela as minhas. Se eu parasse só um pouquinho pra pensar nos outros 6 bilhões de pessoas, será que o mundo não seria um lugar melhor?

    “Vêem-se cada vez mais pessoas que se voltam à sua própria identidade, que cuidam apenas de “si”, de sua vida privada, de seus investimentos cotidianos, de sua família. O homem, então, não se sente mais fazendo parte de uma espécie humana e não participa mais do trabalho da civilização. Considera os outros apenas obstáculos ou objetos de prazer.” (E. E.)

    • 8 nath outubro 26, 2011 às 9:39 pm

      seria sim querida, mas se tem uma coisa que me ensinaram e que estou aprendendo na marra é não ficar se comparando tanto com os outros, nem para o bem nem para o mal.
      claro que existem muitos milhões de pessoas em situação miserável, e devemos sim prestar atenção a isso, mas não a ponto de ficarmos angustiados com a nossa impotência, mas de poder ajudar com o que for possível.
      e o mesmo serve para quando a gente se compara com quem considera estar melhor que a gente, e fica sofrendo né?
      cada um sabe a dor a delícia de ser o que é, já diria caetano ;)

      (mas eu faço a minha parte também para ajudar os outros, apesar de não ficar propagandeando por aí rs)

      beijão!

  5. 9 Ju outubro 26, 2011 às 4:49 pm

    ah nath… não importa quantos… viva todos intensamente e sem medo pq todos com certeza, apesar de levarem um pouquinho da gente, tbm deixam muitas coisas boas aqui
    =)

  6. 11 Larissa Margulies outubro 31, 2011 às 10:19 pm

    ih, minha foto por aqui… :)

    :***


  1. 1 diário de um coração partido, parte 6 – uma segunda chance | drops de anis Trackback em março 3, 2013 às 1:05 pm

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