Arquivo para setembro \30\UTC 2011

angústias geminianas

Eu tenho essa mania irritante (pelo menos para mim) de sempre estar envolvida em mil coisas, planos e acontecimentos. No momento estou tocando três projetos paralelos, e acho até pouco – o normal é sempre mais. Meus amigos e familiares sempre têm de contestar quando eu chego contando sobre algum desenrolar, “mas qual projeto?!”, com a mesma cara de interrogação com que encaro minhas amigas namoradeiras, “mas qual dos boys??”.

Coloco toda a culpa no ascendente geminiano, que faz o polvo e tá sempre abraçando tudo em volta com zero foco (o “no astral” que me ensinou!), mas vira-e-mexe eu me pego pensando se um dia aparecerá algo na minha vida que vai me deixar tão apaixonada a ponto de me fazer esquecer de todo o resto, querendo dedicar fidelidade e lealdade ad eternum, sem jamais olhar pro lado. Sem essa ausência que atormenta, serena e feliz da vida. Será, meu pai? Será?!

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te desejo amor

“Que hoje e sempre, seja mais um belo dia.”

Acordei com um bom humor que há tempos não sentia. Sol, vontade de mudar o mundo, fazer diferente. Playlist favorita, chá quentinho, um horóscopo generoso. E já pela manhã recebi mensagem da minha lindeza dizendo que tinha usado um texto meu em um post e, quando fui ver, ela dizia tudo o que eu queria gritar ao mundo neste dia bonito de primavera.

Porque no fundo é bem isso né? A gente semeia amor e colhe amor de volta, a simples lei do carma que muitas vezes a gente esquece. Quem quer um respiro de boas energias, vá ler o texto da Lissa, fazer um café fresco, abrir a janela. Primavera quer entrar!

“Cultive, cuide, queira o bem. O resto vem.”

PS: as frases entre as aspas são de Caio, again; e a foto também é da Lissa :*

para sempre meu, caio f.

Numa sexta-feira solitária, encontrei por acaso este tumblr só com frases de Caio Fernando, e passei umas boas horas nele. Havia vários textos lá que eu ainda não conhecia, e foi um conforto enorme ler suas palavras. Como reencontrar um amigo antigo que, só de olhar, já sabe tudo o que estamos sentindo e diz todas as coisas certas. E me sinto reconfortado como se houvesse qualquer coisa feito um futuro à minha espera. E há, Caio. Há.

“Se amanhã o que eu sonhei não for bem aquilo, eu tiro um arco-íris da cartola. E refaço. Colo. Pinto e bordo. Porque a força de dentro é maior. Maior que todo mal que existe no mundo. Maior que todos os ventos contrários. É maior porque é do bem. E nisso, sim, acredito até o fim.”

bits & pieces

Semana passada, assistindo pela ducentésima vez “My Blueberry Nights” (top favorito!), revi uma cena em que a Elizabeth, já viajando, se pergunta: “será que você (Jeremy) vai se lembrar de mim como a garota que gosta da torta de blueberry? Ou como a moça de coração partido?”

Uns dias antes tinha relido outro texto (num livro também super favorito) que falava exatamente isso: qual a impressão que deixamos nas pessoas?

Neste trecho, o narrador fala sobre as características principais que ele reconhece em sua amada, Chloe. Entre elas, estão ironia, cor dos olhos, intelecto, claustrofobia e amor por roupas de lã. Mas ele sabia que ela era muito mais do que isso. E que, por mais que ele tentasse e se dedicasse, jamais conseguiria entendê-la em sua completude, porque isso ninguém consegue saber sobre o outro – nem nós mesmos sabemos, não é?

E o entristecia o fato de que, em alguns anos, ele seria lembrado apenas como “aquele arquiteto que namorei por um tempo”.

***

Fiquei pensando nisso, nas impressões que deixamos nos outros, em como seremos lembrados daqui a um tempo. Meus amigos, conhecidos, pessoas que passaram pela minha vida. Vão se lembrar de mim como a garota sonhadora e apaixonada que eu já fui? Ou a moça que tem um sorriso sempre aberto, mas um olhar com qualquer coisa de triste?

quando o passado é um presente para o futuro

“A invocação do passado constitui uma das estratégias mais comuns nas interpretações do presente. O que inspira tais apelos não é apenas a divergência quanto ao que ocorreu no passado e o que teria sido esse passado, mas também a incerteza se o passado é de fato passado, morto e enterrado, ou se persiste, mesmo que talvez sobre outras formas. Esse problema alimenta discussões de toda espécie – acerca de influências, responsabilidades e julgamentos, sobre realidades presentes e prioridades futuras.”
(Edward W. Said, em “Cultura e Imperialismo”)

Tive que ler o texto acima para uma aula de História, e me lembrei de outra frase que vi certa vez, que dizia que “o passado é ficção”. Porque, depois de passado, o que sobra do evento é apenas o que nos lembramos dele – ou o que queremos nos lembrar. Nada fica gravado exatamente como aconteceu, e quando há mais de uma pessoa envolvida, as versões sempre serão diferentes. Não só porque cada um escolhe, voluntaria ou involuntariamente, se lembrar de tudo como mais lhe convém; mas também porque toda a interpretação dos fatos ocorridos é baseada na história de vida de cada um, suas referências e backgrounds, e não tem como isso ser igual em duas pessoas diferentes.

Tive um confronto difícil com meu passado há pouquíssimo tempo, como vocês acompanharam aqui, mas achei um sofrimento super válido, porque ele me fez enxergar quais âncoras eu estava carregando comigo no presente, muitas vezes sem perceber. E foi através deste processo que eu pude reconhecer as tais “realidades presentes e prioridades futuras” que o Said citou no texto acima e, com isso, utilizar o passado em seu propósito mais nobre: fazer com que sejamos pessoas mais conscientes no presente. E, quiçá, melhores no futuro.

“Pouco depois, pensei: talvez o passado seja uma âncora nos prendendo. Talvez temos de abandonar a pessoa que fomos para nos tornarmos a pessoa que seremos.”
(Carrie Bradshaw, em “Sex and the city”)

***

Mais inspirações aqui.

eu quero uma vida lazer

– Mas vocês querem ter só um site legal ou vocês querem dominar o mundo?!

– DOMINAR O MUNDO, dãã!!! – eu e a Alice respondemos em coro; como se a resposta fosse tão óbvia que ele nem precisava ter feito essa pergunta.

***

Acho que no fundo sempre tive essa vontade, que parece tão palpável e tangível. Mas dia desses tava fuçando a vida alheia em redes sociais e encontrei amigas da minha idade já com uma vida tão organizada: casadas ou em vias de, fizeram uma faculdade razoável, hoje são professoras de pilates num estúdio da esquina, têm horários flexíveis, fazem uma viagem bacana por ano, aquele pacote completo. Elas não têm grandes ambições, e parecem tão felizes! E não duvido de que sejam mesmo.

E eu aqui, com essa mania besta de querer beber-o-mundo-numa-garrafa-de-coca-cola, essa angústia que nunca passa, a eterna ausência que me atormenta. E eu sei que, caetanismos à parte, “cada um sabe a dor e delícia de ser o que é”, e elas devem ter lá seus nozinhos na garganta também. Mas tudo em que eu conseguia pensar, no restante do dia, era que minha vida seria tão mais simples se eu não quisesse dominar o mundo.


* o título foi tirado de uma frase do filme “viajo porque preciso, volto porque te amo” (lindo, lindo); e também era uma série do “don’t touch my moleskine”

buscando as fendas temporais

“(…) Desde então, entendi que não existe vida se não houver a chance real de fracassar, que o fracasso é como a demissão e a fossa – inevitável para fins de enobrecimento de caráter –, que o caminho para nossa própria verdade passa obrigatoriamente pela dor, que vencer é delicioso mas perder é fundamental, e que reside justamente nessas experiências a beleza de toda a jornada humana. (…) E, diante disso, só nos resta aceitar o frio na barriga e reconhecer aqueles breves clarões de emoção que costumam aparecer no meio de uma quarta-feira qualquer – é nessas fendas temporais que se esconde a tal da felicidade.”

(Milly Lacombe, em “Mais Vida”, na edição de aniversário da revista tpm)

***

Certa vez li que “se seus sonhos não te dão medo, eles não são grandes o bastante”. Acredito muito nisso, que se há a chance de fracassar, é porque é algo pelo qual vale a pena lutar. Numa reunião, semana passada, alguém disse que “se há dor, é porque algo que você queria muito não deu certo. Mas pelo menos você quis – e aí é que está graça”. Bem aquele clichê de melhor-ter-amado-e-perdido-do-que-nunca-ter-amado.

Confesso que quando a dor vem muito forte eu até penso “preferia nunca ter amado”. Mas depois me volta a lucidez e respiro: melhor que viver mais ou menos, pelas bordas, é se jogar de uma vez, sem olhar se dar pé. Porque, quando dá, o aconchego de um bom mergulho é o melhor abraço que se pode sentir.


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